Surto de meningite atinge Ponta Grossa
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
Um vírus que provoca meningite está se espalhando em Ponta Grossa. Nas duas primeiras semanas de janeiro foram registrados 24 casos de crianças infectadas, contra 59 notificados em todo o ano passado. O aumento dos casos, considerado um surto, provocou a superlotação do Hospital da Criança e alguns pacientes tiveram que ser internados em consultórios por falta de leitos. Ontem a situação se normalizou, mas seis crianças ainda continuam hospitalizadas. Além dos casos em Ponta Grossa, a Saúde registrou outros cinco no Paraná.
A meningite é a inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por diversos agentes como vírus, bactérias, fungos e protozoários. A meningite viral, que está ocorrendo na cidade, está atacando crianças de 4 a 9 anos. Esse tipo de meningite, no entanto, não é tão perigoso quanto a infecção que acontece no inverno. Segundo o chefe da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Isaías Cantóia Luiz, dificilmente essa infecção leva a morte ou deixa sequelas.
A enfermeira da Vigilância Epidemiológica da 3ª Regional de Saúde, Beatriz Caldeira, diz que em alguns casos esse vírus está provocando outros tipos de reação. Algumas crianças apresentam diarréia e outras apenas uma gripe.
Ela considera que a situação no município ainda não pode ser considerada uma epidemia. É normal o aumento dos casos nessa época do ano porque com o calor o vírus se desenvolve com mais facilidade, esclarece.
A Vigilância Epidemiológica vai fazer exame de fezes nas crianças que apresentarem a doença a partir de hoje para identificar o vírus que está provocando a infecção. Como a doença está espalhada pelo município, a investigação dos casos fica mais difícil. Se todas as crianças infectadas fossem da mesma região, ou frequentassem a mesma creche, por exemplo, ficaria mais fácil descobrir o que elas consumiram ou que atividade desenvolveram, que veio favorecer o aparecimento da doença, explica a enfermeira.
A meningite não é transmitida só pelo ar. A transmissão oral é mais difícil, mas também acontece. Os médicos desconfiam que o vírus esteja se disseminando através de água contaminada ou pelo consumo de alimentos produzidos com água de origem desconhecida. Por isso, a recomendação é evitar tomar banho em rios, que podem estar contaminados com esgoto; não consumir alimentos vendidos na rua, cuja origem é desconhecida. Outro cuidado importante é com a higiene pessoal. O período de internamento das crianças está variando de três a sete dias. Para esse tipo de meningite não existe vacina.
A média anual de casos registrados no Paraná é três mil. A metade das notificações é de meningite viral.


