Surto de hepatite assusta Carambeí
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sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Denise Angelo<BR>De Ponta Grossa 
Um surto de hepatite do tipo A levou a Secretaria de Educação de Carambeí (25 km ao norte de Ponta Grossa) a fechar a Escola Municipal Geralda Harms, que atende 550 crianças de 1 a 4 séries do ensino fundamental, num bairro da periferia da cidade. Já foram confirmados 11 casos da doença na cidade e outras três pessoas estão em observação. Dos 11 contaminados, sete residem no bairro AFCB, sendo que seis deles estudam na Escola Geralda Harms. A maioria dos contaminados tem entre cinco e nove anos. Apenas um dos doentes é adulto.
A escola foi interditada pela Vigilância Sanitária na última terça-feira e deve ser reaberta no começo da semana. Ontem a Secretaria de Educação estava concluindo a substituição dos equipamentos de cozinha, para atender a exigência da Vigilância. Isso porque, a hepatite A é contagiosa e o vírus pode se espalhar através de copos, talheres e de alimentos, quando manuseados sem os devidos cuidados de higiene.
A chefe do setor de Vigilância Epidemiológica da 3 Regional de Saúde, Luciene Regina Soweke, disse ontem que a Sanepar já fez uma análise da água fornecida na escola e ficou comprovado que o nível de cloro está inclusive acima do mínimo necessário para evitar a contaminação. Ela acredita que a transmissão do vírus e a proliferação da doença esteja mesmo acontecendo pelas condições precárias de saneamento existentes no bairro. ''O esgoto corre a céu aberto na região e as crianças acabam tendo contato com essa água contaminada'', explica. O próprio esgoto da escola é canalizado apenas por algumas quadras e depois cai numa vala e fica exposto. Cerca de 26% das residências de Carambeí não possuem saneamento básico.
Entre as hepatites virais, a do tipo A é a menos severa e, segundo Luciene, normalmente ela tem uma evolução benigna, ou seja, não deixa sequelas. ''Os casos de morte por hepatite A são raríssimos'', salienta. Os sintomas são hicterícia (pele amarelada), vômito, diarréia, escurecimento da urina, fezes esbranquiçadas, dores abdominais e cansaço excessivo. O tratamento da hepatite A é sintomático, ou seja, não existe um remédio contra a hepatite. Tratam-se apenas os sintomas para que o próprio organismo ganhe resistência para se recuperar.
Existe vacina contra a hepatite A, mas ela não está disponível na rede pública de saúde. Nas farmácias, o custo varia de R$ 35,00 a R$ 59,00 a dose. Para estar totalmente imune, são necessárias duas doses, sendo que a segunda deve ser aplicada seis meses após a primeira.


