Surto de hepatite A preocupa Saúde
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sexta-feira, 11 de março de 2005
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Ausência de rede de esgoto e pobreza. Uma combinação cruel que está atingindo principalmente as crianças da Zona Leste de Londrina, as maiores atingidas pelo surto de hepatite A registrado neste ano. A região do Marabá e os bairros e assentamentos adjacentes registra 80% dos 35 casos registrados em toda a cidade. O problema levou a Secretaria de Saúde a desenvolver campanha de conscientização entre a comunidade. Uma campanha que pode ser prejudicado pela greve dos servidores públicos.
A hepatite A é um doença viral que ataca o fígado. A transmissão se dá principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados por fezes. O objetivo da campanha é tentar reduzir os índices virais da região. ''Apenas 10% das pessoas doentes apresentam os sintomas, portanto o número real de casos é muito maior'', afirma a diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, Josemari de Arruda Campos.
Segundo ela, depois um período de retração, os casos de hepatite voltaram a aparecer no segundo semestre do ano passado. Um investigação de técnicos confirmou o que era esperado: a doença tem origem na falta de saneamento básico e na falta de educação em saúde da própria população.
''Não é a escola ou a creche que é a fonte, mas o ambiente. A região é cercada de córregos, com o calor crianças se banham nesses locais, a população usa a água e por conta da falta de saneamento não é difícil encontrar fezes expostas'', diz Josemari.
Uma série de folders devem ser distribuídos para a comunidade nas próximas semanas com orientações sobre a doença e hábitos de higiene. O objetivo da campanha é tentar reduzir a concentração viral da região. Josemari não soube precisar, entretanto, qual o impacto da greve nos planejamento da campanha.
Para a dona de casa Patrícia Rodrigues Santos, 22 anos, mãe da pequena Ana Carolina, 5 anos, a greve já prejudicou o tratamento da filha. Moradora do Jardim Santa Fé, a menina apresentou sintomas da doença há pouco mais de uma semana. ''Fiz o exame de sangue mas ainda não peguei o resultado''.
Segundo ela, aos primeiros sintomas a pediatra da UBS afirmou que poderia ser hepatite. Com a piora do quadro e a greve, ela levou a menina duas vezes ao PAI. ''Disseram que não era nada, só depois confirmaram quando ela estava com o olho bem amarelo''. A UBS do Jardim Marabá voltou a normalidade anteontem, contudo, segundo a mãe, não havia médicos, apenas enfermeiros da Santa Casa e o horário de atendimento foi reduzido.
A mãe afirma não ter idéia onde a filha foi contaminada já que a família só usa água da rede pública e a menina não frequenta córregos. Em alguns minutos de entrevista, entretanto, a menina foi advertida mais de uma vez para não colocar os brinquedos que estavam no chão na boca. Uma prática perigosa em um bairro com uma concentração viral muito acima do recomendado.


