Surto de dengue é iminente, diz FNS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 1997
Célia Baroni Londrina 
Josoé de CarvalhoTransmissão de informaçõesEstande no Calçadão mostra trabalho da FNS no controle de endemias: campanhas de conscientização sobre dengue não surtiram efeitoHoje é a última oportunidade para quem quer conhecer o trabalho realizado pelo distrito regional da Fundação Nacional de Saúde (FNS). Durante toda a semana, a regional manteve uma barraquinha armada em frente à agência central do Banco do Brasil (BB), no Calçadão.
A FNS mostrou como são os principais transmissores de endemias (doenças que existem constantemente em determinado lugar). A comunidade também pôde conhecer as ações da FNS em prevenção, controle e combate dessas doenças.
A maioria das pessoas acredita que a FNS atende apenas a questão da dengue porque, nos últimos anos, esta tem sido uma de nossas ações prioritárias na região, explica o educador de saúde da FNS, Eliel Joaquim dos Santos.
O educador informa que, atualmente, no Paraná, existem sete tipos de endemias: dengue, esquistossomose, leishmaniose tegumentar americana, febre amarela, chagas e malária.
Equipes de entomologia da Fundação atuam no levantamento periódico da população das espécies transmissoras das doenças. Quanto maior o número de transmissores, maior o risco de uma endemia, explica Santos.
O último trabalho da equipe que atua em Londrina, exemplifica o educador, resultou que o índice geral de Aedes aegypti - mosquito transmissor da dengue - é de 15%, seis vezes mais do que o considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - 2,5%.
Infelizmente, os trabalhos de conscientização realizados até agora não surtiram o efeito desejado. A população continua mantendo hábitos que favorecem a procriação do mosquito transmissor da dengue, lamenta o educador de saúde da Fundação Nacional de Saúde.
Eliel Joaquim dos Santos enfatiza que o risco de uma epidemia de dengue, como a que ocorreu em Maringá há cerca de dois anos, é iminente. No primeiro semestre do ano foram registrados 90 casos suspeitos de dengue em Londrina.
Os resultados dos testes ainda não estão prontos e, por isso, a FNS não sabe quantos casos serão confirmados.
Eliel dos Santos esclarece que a maioria das endemias pode ser evitada através da conscientização das comunidades.
O avanço da esquistossomose na Cidade surpreendeu os técnicos da FNS. E a possível retomada da leishmaniose também preocupa a Fundação. Os técnicos encontraram o mosquito flebotomínio - transmissor da doença - em três regiões de Londrina. Um caso foi registrado em 95.
O inseto é minúsculo, tem hábitos noturnos e só a fêmea se alimenta de sangue. Depois de picar e sugar o sangue, o inseto regurgita dentro da pessoa uma mistura com o agente da leishmaniose.
No local da picada, forma-se inicialmente uma bolha de água e, depois, uma grande ferida ulcerada, que só cicatriza com tratamento adequado, que é oferecido pela FNS.


