Surpresa no júri: réu se diz culpado
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Paulo Ubiratan 
José Manoel Cláudio surpreendeu juiz e promotor, ontem, ao declarar-se culpado do crime de tentativa de homicídio, durante a última reunião do Tribunal de Júri. A confissão provocou espanto porque, durante toda a tramitação do processo, o réu vinha alegando veementemente inocência. Me converti a Deus e não posso mentir. Pagarei pelo crime que pratiquei, por isso peço minha condenação, afirmou José Manoel Cláudio ao juiz Jurandir Reis Junior, que presidiu a sessão do júri.
Surpresa maior ficou para o advogado de defesa, Luis Gaya, que foi proibido pelo réu de fazer qualquer apelação em seu benefício. Mereço a condenação e tenho que assumir totalmente a pena. Deus é meu senhor e sabe que mereço o castigo. Ele foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão.
José Manoel tentou matar Celso Arruda a facadas, em maio de 93, no interior de um bar na zona sul de Londrina. Apesar das provas conclusivas nos autos do processo, na sua confissão o réu disse que apenas queria ferir a vítima. O promotor Janderson Yasssaka, que estava na acusação, disse que durante toda a sua vida jurídica não havia visto um caso igual. O advogado Gaya, ainda perplexo pelo surpreendente comportamento do seu constituinte, disse também que em seus mais de vinte anos de advogado criminal nunca presenciou atitude semelhante.
Este julgamento encerrou as reuniões do Tribunal de Júri do mês de fevereiro, que começaram na terça-feira. Na quinta-feira foi julgado Paulo Lopes, que matou a sua amante Ana Maria Alconches, estrangulada, em 93. O réu foi beneficiado por um laudo piscológico de que era dependente de tóxico e os jurados entenderam que ele seria semi-imputável (não teria capacidade plena para ser responsabilizado por seus atos). Lopes foi condenado a quatro anos de reclusão em regime aberto. Neste caso, o juiz poderia optar em apenas determinar o internamento do réu em um estabelecimento de saúde.
Na quarta-feira foi julgado Francisco Palácio de Oliveira, que matou a pauladas no ano passado o menor Anderson Leite. Ele foi condenado a seis anos de reclusão. Aparecido Moreira da Silva foi julgado na terça-feira acusado de ter matado Valter Lucas de Jesus. Ele foi absolvido por falta de provas.


