Marta Medeiros Especial para a Folha
O Ministério Público de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá) recebeu esta semana mais oito denúncias de cobrança indevida em atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Metropolitano. Outras quatro denúncias já fazem parte do inquérito policial aberto sexta-feira passada, a pedido da promotora Mônica Maciel Gonçalves.
As oito pessoas já foram ouvidas pela Polícia Civil. Elas levaram recibos emitidos pelo hospital que mostram o pagamento de ‘‘despesas de materiais não cobertos pelo SUS’’. Também foram levados documentos que mostram, em alguns casos, guias emitidas pela Prefeitura de Sarandi e pela 15ª Regional de Saúde para o atendimento pelo SUS.
Dentre as denúncias, está o caso de Maria de Lourdes Leite, 33 anos. Ela disse no depoimento que foi obrigada a pagar R$ 1 mil para garantir uma cirurgia para retirada de um hematoma grave em seu filho de nove anos. Segundo Maria de Lourdes, seu marido teve que assinar ainda uma nota promissória no valor de R$ 600,00. Hospital teria alegado que o SUS não paga este tipo de procedimento cirúrgico.
O inquérito policial indicia 10 funcionários entre médicos e sócios-proprietários do Metropolitano por crime de concussão.
O diretor clínico do Hospital Metropolitano Murilo Tadeu Beller disse à Folha que, assim que for notificado, irá passar o caso para a assessoria jurídica. Segundo Beller, o hospital fez este ano, sem computar o mês de junho, 3,5 mil internamentos pelo SUS. Ele afirmou que, por isso, é necessário analisar ‘‘caso a caso’’ as denúncias feitas ao Ministério Público.
Ele lamentou a divulgação do fato antes que a Justiça confirme se o ‘‘hospital tem ou não culpa’’. Considera também que a instituição já está prejudicada, pois caso as denúncias não tenham procedimento, o dano dificilmente será reparado. ‘‘Na escola estão chamando meu filho de filho de ladrão’’, contou Beller.

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