Mônica Kaseker
Os surfistas que frequentam praias lotadas estão na mira dos guarda-vidas no Litoral do Paraná. Eles correm o risco de responder judicialmente por desobediência a ordem pública, além de ter as pranchas apreendidas. Segundo o Corpo de Bombeiros, eles ‘‘empurram’’ os banhistas para locais impróprios para banho e causam acidentes. O problema é mais grave na Praia Brava, em Caiobá, frequentada por cerca de 40 surfistas, que além de desobedecer as orientações muitas vezes acabam desacatando os guarda-vidas.
A prancha de surfe é classificada como embarcação miúda pelo Ministério da Marinha. De acordo com a norma, o surfista deve ser prudente e evitar riscos a outras pessoas. Na Praia Brava, que tem cerca de 400 metros de extensão e um trecho impróprio para banho, a concentração de surfistas é grande. Os banhistas têm que escolher entre ficar na mira das pranchas ou numa área de alagamento, que não tem ondas boas e é descartada pelos surfistas. Os quatro guarda-vidas que ficam de plantão no local se sentem pressionados com o grande número de reclamações dos banhistas. Os surfistas não respondem aos apitos dos guarda-vidas e com frequência discutem com eles. ‘‘Já tivemos cenas dos surfistas cercarem o guarda-vidas e perguntarem em tom de ameaça: como é o seu nome, você sabe com quem está falando?’’, conta o tenente.
No último final de semana um menino de sete anos foi atingido por uma prancha e teve um corte na altura das costelas. Segundo o tenente, uma outra criança atingida por uma prancha e levou 12 pontos no braço. Em outro caso, um rapaz furou o olho do próprio irmão num acidente com a prancha.
Durante esta semana, os guarda-vidas vão advertir os surfistas e se eles continuarem não atendendo às orientações serão levados ao Juizado Especial e terão a prancha apreendida. Se houver discussão com os guarda-vidas, os surfistas vão ser enquadrados por desacato à autoridade e, no caso de acidentes com feridos, eles podem ser processados por lesões corporais.

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