Surdos passam para o ensino regular
Neste ano, sete surdos estão estudando em três séries no Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL). Para que eles assimilem os conteúdos, o Núcleo Regional de Ensino (NRE) permite que intérpretes permaneçam em sala de aula. Os alunos estudavam anteriormente no Colégio Estadual do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles), cuja diretora, Marina de Fátima Benedito, explica que eles só passaram para o ensino regular porque quiseram.
''Não encaminhamos mais surdos para o ensino regular porque são poucos os que desejam deixar o Iles. Quando algum aluno quer, fazemos o possível para atender'', atesta Dulce Pascoalina Romero, coordenadora da área de Deficiência Auditiva do Setor de Educação Especial do NRE. A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CMDPPD), Martinha Dutra, e o presidente da Apadal, José Luiz Alves Nunes, fazem elogios ao trabalho do Iles, mas dizem que o ideal é que haja estímulo para que mais alunos surdos migrem para o ensino regular.
''Se os deficientes auditivos ficam numa escola exclusiva para surdos, acredito que podem ficar segregados. Os surdos precisam conviver com ouvintes e vice-versa'', considera Martinha. Já Nunes acredita que são necessários mais intérpretes no ensino regular. ''Interpretar cansa'', justifica. ''Além disso, para passar melhor a matéria, seria ideal que os intérpretes tivessem um conhecimento maior do conteúdo que estão traduzindo. Poderia haver um por matéria, que entendesse do assunto que está sendo ensinado''.
Marina Benedito afirma que não tem nada contra o ingresso de surdos no ensino regular, mas faz ressalvas. ''O surdo precisa passar por uma escola especializada antes, para que aprenda Libras e a relação (da língua) com o português. Acho que se ele passa por essa formação, aí sim, tem condições de ir para o ensino regular. A diferença é fundamental, e estudando no Iles eles convivem com ouvintes, como professores, funcionários. E fora da escola eles vão a clubes, festas, têm uma vida social.''
O Iles, que existe há 44 anos, tem atualmente cerca de 150 alunos, entre crianças, adolescentes e adultos. (F.G.)





