Suposto líder de quadrilha é executado
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sexta-feira, 10 de maio de 2002
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-policial militar Alceu Rodrigues, conhecido vulgarmente como Beá e acusado de ser um dos principais líderes do crime organizado na região de Almirante Tamandaré, foi assassinado pelas costas na noite de quinta-feira. A Justiça tinha expedido um mandado de prisão contra ele. No entanto, ele estava escondido na casa de uma amiga no bairro do Cajuru, em Curitiba.
De acordo com as informações da Polícia Civil, Beá levou dois tiros na cabeça, na região da nuca. Ele teria sido atraído até um telefone público e sem que pudesse identificar os autores, foi morto. Foi uma tocaia, com certeza. Os tiros foram dados na nuca, afirmou a delegada Vanessa Alice, que investiga o assassinato de 21 mulheres em Almirante Tamandaré, Itaperuçu e Rio Branco do Sul.
Vanessa Alice não quis dar informações mais detalhadas, mas disse que tudo leva a crer que tenha sido por queima de arquivo. Alguém não queria que a polícia chegasse até ele. Por isso resolveu matá-lo antes, declarou a delegada. Com a morte de Beá, Vanessa Alice acredita que as investigações terão que ser intensificadas. Aumenta o trabalho para mim. Vamos ter que saber quem matou o Beá e que interesse tinha, argumentou.
A polícia trabalha com a hipótese de que integrantes da mesma quadrilha estejam querendo eliminar pessoas que possam dar detalhes da ação dos criminosos na Região Metropolitana de Curitiba. O delegado Agenor Salgado, titular da Homicídios, contou que foram encontrados diversos cartões de visita com telefones suspeitos no bolso de Beá, além de uma carta de amor para a empresária Rosana Zen, presa na semana passada e acusada de cuidar dos cativeiros das mulheres que antes de serem assassinadas, teriam sido torturadas.
Entre os números de telefones que estariam nos cartões, estaria o de um coronel da Polícia Militar, ex-comandante do Policiamento da Capital. Salgado não quis confirmar a informação. Apenas disse que todos os telefones serão devidamente checados. Vamos verificar telefone por telefone, disse ele, crente também na tese de queima de arquivo.
Agenor Salgado deverá chamar nos próximos dias para depor a amiga de Beá, conhecida apenas por Michele. Ela teria abrigado Beá em sua casa, no Cajuru, durante o período em que ele esteve foragido. A morte de Beá complica mais as investigações. Mas é um desafio a mais, com toda a certeza, salientou José Tavares, secretário de Estado de Segurança Pública.


