Uma das vítimas do grupo de pessoas agredidas domingo em Toledo (45 km a oeste de Cascavel) por policiais do Grupo Especial de Repressão a Assalto a Bancos (Gerab), disse ontem que os policiais usaram de violência.
O incidente foi comparado ao drama que as vítimas enfrentaram durante assalto a uma empresa dos envolvidos, há cerca de mês. Na ocasião, quatro pessoas foram mantidas sob a mira de armas e duas foram atacadas a socos e pontapés, amarradas e levadas presas. O caso está sendo investigado pela polícia de Toledo.
As agressões por parte do policiais, segundo as vítimas, ocorreram após o choque de uma caminhonete Fiorino em que estavam as quatro pessoas, com um Santana oficial que conduzia quatro integrantes do grupo especial, que tinham ido a Toledo investigar assaltos a banco na região.
O chefe do Gerab, Ézio Vicente da Silva, disse à Folha que a Fiorino estava na contramão e provocou o acidente. Além disso, segundo ele teria havido um ‘‘entrevero’’, ou seja, confusão entre as pessoas ocupantes dos dois carros. Silva defendeu os policiais, apontando-os como ‘‘os mais gabaritados do grupo’’.
Uma das vítimas da violência é João Bombardelli, 35 anos, que em sociedade com irmãos é dono de um laticínio em Toledo. Outra é Osvaldo Celenko, 38 anos, de Curitiba, dono de uma empresa que fornece equipamentos para indústria.
Procurado várias vezes pela Folha a partir de anteontem, João preferiu não falar.
Mas Osvaldo Celenko, que dirigia a Fiorino, relatou que os policiais estavam com armas na mão e além de socos, pontapés e tapas, mandavam todos correr ‘‘para dar uns pipocos’’ (tiros). ‘‘Obviamente, preferimos ficar apanhando’’, disse Celenko.
O empresário curitibano negou a versão da chefia do Gerab de que houve um ‘‘entrevero’’. ‘‘Jamais teríamos como opor qualquer resistência aos policiais armados que berravam e estavam totalmente alterados’’, afirmou.
Osvaldo Celenko disse que, quando os policiais desceram do carro oficial, imaginou que eles viriam conversar e verificar se alguém tinha se machucado. ‘‘É isso o que se espera de quem representa a lei, mas o que ocorreu foi a violência brutal’’.
João Bombardelli e Osvaldo Celenko permaneceram presos durante algumas horas, no domingo, sendo libertados depois que familiares compareceram a delegacia da cidade acompanhados de uma advogada.
A chefia do Gerab identificou os policiais apenas como Paulo, Gerson, Dranka e Cido. Eles teriam sofrido ferimentos no acidente, o que é contestado por Osvaldo Celenko. ‘‘Pelo que sabemos, apenas um deles teve uma distensão muscular’’.
O chefe do Gerab disse ainda que o conserto do Santana da Polícia, com uma semana de uso, ‘‘será cobrado de quem causou o acidente’’.

mockup