Suposta vítima no caso Zuba diz estar sendo pressionada
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A estudante de Direito Sandra Cristina Rosa, 34 anos, procurou o Ministério Público de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) para declarar que estaria sendo pressionada após ter denunciado o ex-delegado de Ibiporã, José Antônio Zuba de Oliva, 41 anos, por concussão (extorsão praticada por funcionário público). A denúncia feita à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, em dezembro do ano passado, resultou na prisão do então delegado do município, e de mais dois escrivães de polícia e outros três policiais rodoviários.
Rosa declarou que teria se sentido ''uma ré'' e não vítima durante o depoimento prestado na última semana à juíza Oneide Negrão, da 5 Vara Criminal do Fórum de Londrina. ''Fui muito pressionada em meu depoimento, forçada a lembrar datas e horários exatos'', destacou a testemunha. Ela revelou que um dia antes da audiência, o advogado que faz a defesa de Zuba, Nilton Roberto da Silva Simão, a procurou e teria pedido para ela não revelar detalhes do caso. ''(...) disse ele que não estaria ali para me forçar a nada, só se daria para eu omitir que o delegado havia me dado voz de prisão'', apontou Rosa. A testemunha relatou ainda que suspeitava que uma abordagem a seu filho realizada por policiais militares teria relação com as acusações que fez. Na mesma declaração, o marido de Rosa, José Ricardo de Almeida, 35 anos, solicitou que ''se for intimado como testemunha, gostaria de ser ouvido'' por um juiz de Ibiporã, onde tramita a ação. Rosa foi ouvida em Londrina por carta precatória.
A juíza da 5 Vara Criminal do Fórum de Londrina, Oneide Negrão, preferiu não fazer comentários. A promotoria da Vara declarou que o Ministério Público não via qualquer irregularidade e qualquer outra manifestação deveria se dar no processo. Já Simão confirmou que procurou a testemunha mas que, em nenhum momento, solicitou que ela omitisse informações. ''Pedi para ela falar a verdade'', garantiu. O promotor da Vara Criminal de Ibiporã, Renato de Castro Lima, alegou que não poderia falar sobre o assunto.
O delegado, os escrivães Otacílio Sales Grube, 43 anos, e Sebastião Aparecido de Almeida, 54 anos, foram presos depois que Rosa denunciou que ela teria sido vítima de concussão na delegacia de Ibiporã, junto com o marido. Os dois haviam sido detidos por suspeita de receberem tratores roubados. Para se livrarem do flagrante, eles teriam sido coagidos pelos policiais a entregar um veículo Passat alemão, avaliado em mais de R$ 15 mil. Segundo Rosa, a negociação teria sido proposta ao advogado do casal, Giovane Macedo, que é co-réu no processo.
Zuba e os dois escrivães aguardam presos a conclusão do processo. O delegado, porém, está internado há algumas semanas em uma clínica de Londrina, com depressão. Os três policiais rodoviários respondem em liberdade ao processo que tramita na Justiça Militar.


