Cascavel – A Polícia Civil investiga uma suposta rede de tráfico internacional de pessoas que estaria agindo no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A investigação começou a partir da prisão de um homem na segunda-feira, em Cascavel (Oeste). De acordo com o delegado Ademair Braga Junior, o acusado cobrava altas quantias de haitianos e nigerianos com a promessa de conseguir a entrada deles na Europa. Com ele, os policiais conseguiram contatos de árabes suspeitos de participar do esquema no Paraguai.
O delegado afirmou que já conseguiu confirmar crimes de estelionato e busca comprovar a atuação do homem como coiote. "Temos casos de pessoas que pagaram e nunca receberam os passaportes. Agora, vamos averiguar se elas eram apenas enganadas, ou se esse esquema realmente funcionava", adiantou. Braga Junior apontou que existem indícios sobre a existência de uma rede de tráfico de pessoas. "Identificamos alguns contatos suspeitos no Paraguai que devem ser investigados pelas autoridades competentes".
Um comparsa também foi preso por receptação, mas pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberado. Já o estelionatário continua preso. Ele foi surpreendido em um cartório da cidade, no momento em que reconhecia firma de um recibo de R$ 11,5 mil, valor pago por um haitiano, uma das vítimas do esquema. O combinado era que o haitiano, a mulher e os filhos embarcassem para Portugal, para depois seguir para a França. Outras duas vítimas da cidade foram localizadas e serão ouvidas nos próximos dias. A polícia acredita que o número de pessoas lesadas pode ser muito maior.
O esquema envolvia uma empresa de fachada do ramo de produtos naturais. "Essa empresa era usada pelo investigado para regularizar a situação dos imigrantes como forma de burlar a fiscalização territorial, para que essas pessoas fossem enviadas ao exterior com base no registro que ele fazia na empresa falsificada", explicou o delegado. Se condenado, a pena pelos crimes de estelionato e tráfico internacional de pessoas pode chegar a 15 anos.

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