Supletivo de férias aprova 78% dos alunos
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terça-feira, 17 de março de 1998
Guilherme Pupo 
Depois de 27 anos sem estudar, a cozinheira Maria Madalena Silva Santos, de 40 anos, resolveu voltar às salas de aula para concluir o primeiro grau. Não vou morrer em frente ao fogão. Sempre quis voltar, mas não podia pagar a escola, diz. Ela é uma das 583 pessoas aprovadas no curso supletivo de férias desenvolvido pela primeira vez no Paraná pela Secretaria Estadual da Educação. O curso, realizado entre janeiro e fevereiro no Núcleo Avançado de Ensino Supletivo, em Curitiba, teve 740 inscritos e um índice de aprovação de 78%.
O currículo segue o programa de Educação de jovens e adultos, definido pela Secretaria de Educação, e tem conteúdos resumidos das disciplinas. O curso é gratuito, tem horários flexíveis e é aberto para maiores de 14 anos de idade, para quem estudou, no mínimo, até a 6ª série.
A maioria dos alunos já trabalha e tem interesse em concluir o primeiro grau para encontrar novas oportunidades de emprego. A cozinheira Maria Santos, por exemplo, já está concorrendo a uma vaga de segurança de banco em uma empresa particular.
Outro aprovado é José Apolinário Filho, de 39 anos. Deficiente físico (teve um acidente de trabalho aos 23 anos e sofreu uma lesão na medula), ele mora em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, e vinha todos os dias até a escola para concluir a 8ª série. Estudei muito, inclusive nos finais de semana, e acho que estou preparado para continuar no segundo grau, comenta ele, que estava há 20 anos sem estudar e agora pretende fazer um curso técnico na área de informática. Atualmente, ele é coordenador de um curso de datilografia na Secretaria de Saúde em Colombo.
DemandaO crescimento do número de jovens e adultos matriculados nos cursos intensivos no Paraná chega a impressionar. Em 1990, foram registradas 88.387 matrículas e no ano passado, 165.648 (um salto de 87%). Para este ano, a expectativa é ultrapassar os 200 mil.
O aumento na demanda pode ser explicado pela situação socioeconômica do País. O ensino, pelo menos o nível fundamental, é urgente para o trabalhador que precisa se manter ou ingressar no mercado de trabalho, diz a chefe do Departamento de Ensino de Jovens e Adultos da secretaria, Regina Célia Alegro.


