Supletivo de Cianorte é denunciado na Justiça
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Vânia Moreira De Umuarama 
A Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) pediu ontem à Procuradoria-Geral de Justiça a investigação de denúncias contra o Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (CEEBJA), o antigo Centro de Estudos Supletivos, de Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama). O centro é acusado de facilitar aos alunos a obtenção dos certificados de conclusão do ensino fundamental (5ª a 8ª séries) e do ensino médio burlando o procedimento legal.
A diretora do CEEBJA, Rosemari Aparecida Carvalho, também é acusada de desviar dinheiro, empregar parentes, manter professores fantasmas e coagir professores e funcionários a praticar irregularidades sob ameaça de demissão. A denúncia anônima, acompanhada de alguns documentos, foi encaminhada semana passada ao presidente da APP-Sindicato de Cianorte, Leonil Borges.
O presidente reuniu funcionários e professores da CEEBJA e seis pessoas confirmaram a maioria das irregularidades citadas na denúncia anônima. Dois funcionários e quatro professores concordam em depor sobre o caso.
Conforme a denúncia anônima, para obter os certificados de conclusão do curso os alunos precisam apenas pagar a taxa de matrícula ( R$ 10,00 por disciplina) e comprar o material didático (as apostilas variam de R$ 1,60 a R$ 8,00) sem precisar se preparar para as avaliações.
As provas seriam aplicadas logo em seguida e os próprios professores indicariam a resposta correta da maioria das questões. Em alguns casos, a matrícula e as provas são feitas no mesmo dia. Ainda de acordo com a denúncia, a escola falsifica as datas para regularizar o processo.
Num dos casos citados, o aluno Rogério Cefalo fez a matrícula no dia 10 de novembro. No dia 17 o certificado de conclusão já estava pronto com data de 29 de novembro. Outro caso envolve o aposentado Adão Francisco Borges, que concluiu o ensino fundamental e o médio no CEEBJA sem ter cursado as primeiras quatro séries do ensino fundamental.
Segundo a denúncia confirmada por professores e funcionários, o valor das taxas de matrícula e apostilas são superiores ao custo, mas o lucro não vai para o caixa da escola. Há também denúncias de outras irregularidades que precisam ser investigadas, disse Leonil.
Numa reunião ontem à tarde com diretores da APP-Sindicato e o chefe do Núcleo Regional de Educação, Pedro Aguilera, professores e funcionários reafirmaram que as irregularidades existem e que são coagidos por Rosemari a colaborar com o esquema. A Folha tentou ontem falar por telefone com a diretora da CEEBJA, mas os funcionários informaram que ela havia viajado para Curitiba. Ela só falaria sobre as denúncias hoje.


