O Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Paraná (Sinspp) enviou ontem um membro de sua diretoria à Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) para levantar informações sobre o espancamento de um preso. O incidente teria acontecido no dia 5 de setembro. ‘‘Precisamos ir atrás de informação, porque não chega nenhum dado até nós’’, justificou a presidente do Sinspp, Sandra Márcia Duarte.
  Segundo informações da diretoria da PIG, um supervisor de segurança teria se ‘‘descontrolado’’ ao tentar conter um preso e o agrediu. O vice-diretor da unidade, Arnoldo Paes, relatou à Folha que os ferimentos ‘‘não foram graves’’, mas que excessos do tipo ‘‘não são admitidos’’. ‘‘Este funcionário foi afastado e despedido em seguida por justa causa’’, garantiu Paes. Victorino Fávero, gerente operacional da Humanitas, empresa que administra a PIG, explicou que vários agentes testemunharam a agressão e que o caso foi encaminhado à Vara de Execuções Penais (VEP).
  A juíza-corregedora, Cristine Bittencourt, informou que a ocorrência está sendo investigada. ‘‘A PIG é uma unidade prisional modelo. Esta é a primeira agressão registrada lá desde a fundação da Penitenciária’’, defendeu ela. O supervisor despedido deve responder a processo por lesões corporais.
  Na semana passada, representantes do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Paraná e dirigentes do Sinspp estiveram em Brasília para entregar denúncias sobre tortura de presos em unidades prisionais terceirizadas do Estado. Eles foram recebidos no Ministério da Justiça, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e na Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
  Na próxima reunião do Conselho de Defesa do Direito da Pessoa Humana (CDDPH), que acontece na próxima semana, o assunto deverá ser colocado em pauta. Segundo Sandra Duarte, a idéia é que uma comissão venha ao Estado para verificar a situação.
  O coordenador do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), coronel Justino Sampaio Filho, diz que nunca houve conivência quanto a torturas em presídios. ‘‘Aonde tiver um ser humano, vai haver algum desvio de conduta. Mas não pode deixar institucionalizar, e todos os casos que chegam até nós estão sendo apurados’’, argumentou o coordenador. O secretário de Estado da Justiça, Aldo Parzianello, não foi localizado ontem pela reportagem.

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