Superpopulação de cães de rua preocupa Curitiba
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quinta-feira, 14 de abril de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Calcula-se que aproximadamente 240 mil cães vivam em Curitiba hoje uma média de um animal para cada sete habitantes. Desses, pelo menos 96 mil perambulam pelas ruas da cidade, sendo metade deles animais abandonados. São, por esse motivo, o foco de ação do Canil da Prefeitura e de preocupação para as Organizações Não Governamentais (ONGs) voltadas à proteção e bem-estar dos animais. Sem controle da população, em cinco anos o número de cães de rua pode ultrapassar a casa dos três milhões.
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da prefeitura, mais conhecido como Canil Municipal, apresenta outros dados alarmantes. Em 2003, o órgão apreendeu 6.218 cães nas ruas da cidade. Destes, apenas 953 foram liberados pelos donos e 679 foram doados, enquanto 3.997 sofreram eutanásia. Um dos problemas, de acordo com o CCZ, é que apenas 5% a 10% dos animais são resgatados pelos proprietários. Além desses, o centro também recolheu, em 2003, 10.507 cães em residências, a pedido dos proprietários. Normalmente velhos e doentes, o destino dos bichos acaba sendo a morte.
Para as ONGs, esses números demonstram a necessidade urgente de implantação de políticas públicas municipais constantes e eficazes para o controle à população animal. Sem ações nesse sentido, em cinco anos o número de cães abandonados na cidade pode ultrapassar a casa dos 3 milhões 1,5 cão por habitante. O cálculo é feito seguindo preconização da Organização Mundial de Saúde, que estima que em cinco anos de vida uma fêmea gera 67 mil novos animais, levando em conta toda sua cadeia genética futura (filhotes, netos etc).
O alerta sobre o problema vem sendo feito há anos. Tanto que desde 2002 a Câmara Municipal já sediou três seminários sobre o assunto. No último, realizado ontem, vereadores e representantes das ONGs reiteraram posição no sentido de que o município realize campanhas permanentes de castração dos cães, e realize campanhas sobre a importância da posse responsável de animais.
Há três anos, a prefeitura concentra sua ação em uma campanha, com duração de cerca de 15 dias, por ano, nas quais são castrados no máximo dois mil cães. ''São campanhas isoladas, que ajudam um pouco, mas não resolvem, já que no resto do ano os cachorros continuam procriando'', critica Rosana Vicente Gnipper, do Movimento S.O.S. Bicho.
De acordo com ela, a Prefeitura de São Paulo, que implantou campanha permanente, castra cerca de três mil cães por mês. A prefeitura também trabalha com a estimativa de que para obter o resultado desejado é necessário castrar em curto espaço de tempo pelo menos 80% dos cães que estão nas ruas. Ou seja, em Curitiba isso significa a castração de 76,8 mil animais. Rosana cita ainda dados de São Paulo que mostram que a castração custa R$ 20,00 por animal mais barato do que matar os bichos em câmaras de gás, como ocorre em Curitiba.
O secretário Municipal de Saúde, Michele Caputo Neto, admitiu que as campanhas anuais de esterilização realizadas pelo órgão foram apenas ''paliativas''. Ele citou, no entanto, ações que devem minimizar o problema, como a construção de um novo CCZ, com um Centro de esterilização dos animais, e convênios feitos com as faculdades de Veterinária da Tuiuti e Universidade Federal do Paraná (UFPR), e as tentativas para viabilizar um Castromóvel, veículo equipado para a cirurgia que circularia pelos bairros.


