Maigue Gueths
A empresária Ana Dayse Agulhana é uma exceção entre a população de Curitiba. Mesmo com a correria do dia-a-dia e as facilidades dos supermercados, continua com um hábito de 15 anos: toda quarta-feira ela vai à feira livre da Rua Duque de Caxias. ‘‘Além das pessoas já me conhecerem e eu ter um atendimento personalizado, na feira os legumes, frutas e verduras sempre têm melhor qualidade do que no supermercado’’. Cada vez mais, entretanto, este costume até romântico de ir à feira cai em desuso. Os feirantes são unânimes ao se queixar da queda do movimento que, para alguns, chegou a cair até 30% nos últimos anos.
A redução nas venda, por enquanto, não diminuiu o número de feirantes. Dados da Secretaria Municipal da Agricultura e do Abastecimento mostram que o número de barracas continua estável. De terça a domingo, existem entre seis a oito pontos de feiras na cidade, que variam de tamanho. A maior delas tem 120 barracas e a menor apenas 12. No total, 307 feirantes trabalham diariamente nestes pontos. Além destas, há ainda as oito feiras noturnas. A da Praça Ucrânia é a maior e tem 42 barracas e a menor a do São Francisco com 8 feirantes.
Para Maria Helena Bonato, 24 anos, que há cinco vende frutas na feira, o movimento teve uma queda gradual, mas foi mais acentuado no último ano, com a chegada dos grandes supermercados na cidade. ‘‘Fica difícil concorrer com eles. Estes dias o Mercadorama estava vendendo o mamão formosa a R$ 0,09 o quilo. Acho que nem na Bahia custa isto’’, reclama. Roberto Miquilussi, que há 35 anos tem uma barraca de verduras também sentiu a queda nas vendas. ‘‘Há quinze anos, Curitiba tinha poucos supermercados e hoje tem um em cada canto. Outro problema é que nas famílias de classe média o homem e a mulher trabalham fora e não têm mais tempo para nada’’, diz Miquilussi.
O presidente do Sindicato dos Feirantes, Sérgio Massaiti Koga, que tem uma barraca de pescados, acredita que a concorrência dos mercados não é a principal causa da queda no movimento. ‘‘O poder aquisitivo de todo mundo caiu e a mulher, que antes vinha à feira, hoje também trabalha fora’’. Os preços, segundo ele, nem sempre são mais altos na feira. ‘‘Os frios da feira são bem mais baratos’’. O principal atrativo é a qualidade dos produtos, sempre superior aos dos mercados.
‘‘A feira já foi boa. De uns cinco anos para cá está terrível. Depois do Plano Real só piorou e agora está devagar, quase parando’’, concorda Reni Pereira, 16 anos, que trabalha com uma barraca de verduras. Ele conta que seu pai criou os filhos com a feira, o que ‘‘hoje não é fácil’’.
Os feirantes reclamam que as grandes redes de supermercado trabalham com muitas facilidades, já que compram em grande quantidade, muitas vezes a safra inteira, estabelecendo não apenas o preço que pagarão pelo produto como também um percentual de desconto. ‘‘Não tem como competir. Os mercados vendem tão barato que estão acabando com as feiras. Eles vendem mais barato do que o produtor’’, diz Reni.
Casemiro Suider, há 12 anos na feira, conta a mesma coisa acontece com na venda de ovos. Ele vende a dúzia entre R$ 1,00 a R$ 1,70, dependendo do tipo, mas já chegou a ver no mercado até por R$ 0,60. Segundo ele, os mercados podem até dar frutas de graça porque ganham em outros itens.Compras em grande escala e a possibilidade de lucrar em outros itens permite que os mercados façam promoções de frutas e verduras
PasseioAs feiras perderam fregueses, mas há quem se mantenha fiel como a empresária Ana Dause Agulhana que vai à feira todas as semanas

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