Kraw PenasContraA dona-de-casa Neli Dias, católica: ‘‘Tem que respeitar o dia santo’’Os supermercados Extra, Carrefour e Coletão vão funcionar normalmente nesta Sexta-feira Santa, sob críticas do Sindicato dos Comerciários, Associação dos Supermercadistas e até de alguns consumidores. As três redes têm aproximadamente cinco mil funcionários e a maior polêmica é sobre o desrespeito ao dia santo. O Extra e o Carrefour vão abrir inclusive no domingo de Páscoa e o Coletão, que acompanhou a decisão das outras redes que são de fora do Estado, fez um acordo com os funcionários para abrir na sexta-feira da Paixão e fechar no domingo.
O diretor da Associação Parananense de Supermercados (Apras), Moacir Moura, diz que os supermercados nunca abriram na Sexta-feira Santa, porque é um consenso entre empresários e trabalhadores. Segundo ele, não tem sentido abrir porque o consumo é muito baixo e as pessoas poderiam ter comprado ontem ou deixar para comprar amanhã. Moacir Moura diz ainda que recebeu um requerimento com abaixo-assinado dos vereadores de Curitiba solicitando que os supermercados não abrissem hoje. O documento teria sido feito a pedido do bispo auxiliar de Curitiba Dom Moacir Vitti.
A Apras recomendou aos associados que fechassem hoje e abrissem no domingo de Páscoa. O presidente do Sindicato dos Comerciários do Paraná, Altair Dezonet Athayde, considera que abrir os supermercados em dia santo, seja na sexta-feira da Paixão ou no domingo de Páscoa, é um abuso. ‘‘Isso é coisa de empresários gananciosos, que não devem ter família’’, reclama. O sindicato solicitou ao Ministério do Trabalho e à prefeitura para que fiscalizem. Além disso, está convidando os consumidores a boicotarem as vendas hoje. Segundo ele, é um desrespeito à Igreja e aos funcionários.
Kraw PenasA favorSérgio Rothert: defendendo a facilidade de fazer compras no feriado
As diretorias regionais dos supermercados Carrefour e Extra não atenderam a Folha, mas o presidente do Coletão, Edmundo Coleto, disse que os próprios funcionários pediram que, em vez de abrir no domingo, o supermercado abrisse hoje. A expectativa de vendas também é melhor para esta sexta-feira do que para o domingo, segundo ele. Mas o consumidor já não vai encontrar muitos ovos de Páscoa nas prateleiras porque os estoques já estão baixos. Para Edmundo Coleto, não adianta o sindicato reclamar porque já existe regulamentação que permite a abertura nos feriados.‘‘Além do mais as redes de fora abririam de qualquer forma, então por que não abrirmos também?’’, questiona.
Os consumidores se mostram divididos sobre a questão. O empresário Sérgio Rothert, 30, acha que para quem trabalha todos os dias é uma facilidade poder fazer compras no feriado. A dona-de-casa Angela Jark, 27, também é favorável à abertura e considera que o fato de ser dia santo não muda nada. ‘‘Quem não tem tempo durante a semana aproveita o feriado’’, diz. A secretária Iara Negochadle, 42, sente-se beneficiada pelo horário alternativo para fazer compras, mas teme pela exploração da mão-de-obra. ‘‘Se os supermercadistas pagassem hora extra a 100% e não obrigassem os funcionários a trabalhar no dia santo seria ótimo, mas não sei se isso acontece’’, alerta.
Alguns consumidores são mais radicais, como a dona-de-casa Neli Dias, que é católica e não pretende fazer compras nem hoje, nem domingo. ‘‘Tem que respeitar o dia santo. Não tem porquê deixar para fazer compras na Sexta-feira Santa. Os bancos é que deveriam ter aberto na quinta-feira, que era um dia comum. Por que ficar tantos dias fechados?’’, compara.

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