Supermercado ganha biblioteca
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terça-feira, 28 de abril de 2009
Mariana Guerin<br> Equipe da Folha 
Cambé - Uma estante simples, com quatro prateleiras preenchidas por livros que discutem os mais diversos assuntos, de autoajuda a histórias infantis. Em frente, uma mesa e quatro cadeiras, onde os visitantes podem sentar e ler as notícias do dia estampadas nos jornais, fornecidos gratuitamente. Essa é a pequena biblioteca comunitária criada pela empresária Celina Ribeiro, no supermercado da família, em Cambé (13 km a oeste de Londrina).
Uma reportagem de tevê sobre uma biblioteca itinerante no metrô de São Paulo inspirou a empresária, que disponibilizou os primeiros livros para os clientes há cerca de um mês. "Quem é que não tem um livro sobrando?", justificou Celina, que reuniu os primeiros 50 volumes a partir de doações próprias, da família e funcionários. Segundo ela, mais de 400 exemplares já circularam pelas prateleiras desde o início do projeto.
Com a ideia de que os livros não podem ficar parados, "têm que circular", Celina criou o espaço, que hoje é reabastecido pelos próprios usuários. E para usar a biblioteca comunitária não é necessário fazer cadastro ou deixar um documento. "A pessoa escolhe o livro e leva por tempo indeterminado. Tem quem retorna o livro e ainda traz outro. Livros que estão nas prateleiras hoje já não são os mesmos de um mês atrás", comentou a empresária.
Para divulgar a biblioteca, ela criou um carimbo especial, que marca a última página de todos os livros e ensina o funcionamento da campanha. Entre as regras, "se ele estiver na prateleira, leve-o, leia-o, passe-o adiante ou devolva à biblioteca", é a principal.
Celina contou que a ideia da biblioteca foi fortalecida por outra ação simples e eficaz de voluntariado que ela já praticava dentro do supermercado: a caixa de roupas. "Um dia coloquei uma caixa com roupas usadas na entrada do mercado e percebi que as pessoas pegavam e traziam peças. Chamo de caixa abençoada porque nunca ficou vazia e já ajudou
muita gente."
A estudante Luana Regina Felipe, de 25 anos, visitou a biblioteca pela primeira vez, em busca de algum livro que complementasse seus estudos na área de arquivologia. "Vi uma matéria sobre a biblioteca na televisão e vim conhecer", disse a estudante, enquanto olhava os livros "com calma".
"O bom é que não tem limite de tempo e não tem burocracia. Não tem que deixar nome, nem documento e não precisa devolver o livro, pode repassar para outra pessoa",
opinou Luana.


