Salas onde seriam feitas consultas médicas servindo como quarto de internação para pacientes que aguardam vagas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Macas pelos corredores ou mesmo pessoas acomodadas em cadeiras comuns. Esse é o quadro que se repete no Hospital Universitário (HU) de Londrina.
A superlotação, ocorre todos os dias, segundo a superintendente da instituição, Margarida Carvalho. Ao todo o pronto-socorro tem 48 vagas, mas atende hoje 86 pessoas, dos quais quatro aguardam um leito na UTI, que está no limite de sua capacidade com 17 leitos ocupados.
Acompanhando a esposa, que havia sido picada por um cobra, o lavrador Josias Marçal de Oliveira contou que é de Tamarana (Norte) e chegou ao hospital por volta das 16 horas de segunda-feira. Ontem de manhã, não havia previsão de quando ela seria atendida.
Em situação parecida o cobrador de ônibus, José Santos dos Anjos, já completaria 24 horas de internação, em uma maca encostada na parede do corredor. ''Eu estou aqui desde ontem (segunda-feira) de manhã, tenho pedra no rim, me deram um medicamento e fizeram dormir aqui, mas até agora não me atenderam'', diz.
Segundo a superintendente, uma reunião com membros da secretaria estadual de Saúde está prevista para ocorrer ainda este mês. Entre os assuntos em pauta, está o aumento do repasse do Estado para R$ 200 mil. ''Recebíamos R$ 150 mil, que não nos é repassado desde que o governo assumiu e queremos discutir, senão um aumento no valor, pelo menos que mantenha a verba anterior'', explica.
Outro ponto seria a contratação de novos funcionários. Hoje o hospital apresentaria um déficit de 336 funcionários. ''Hoje temos 1.836 pessoas para atender 24 horas'', explicou Margarida.
O diretor geral da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Renê Santos, afirmou que os problemas como a superlotação enfrentada pelo HU não são uma exclusividade de Londrina e tem ocorrido com frequência em diversos hospitais de responsabilidade do Estado. Ele acredita, porém, que o lançamento de dois projetos da secretaria minimizariam os problemas. Um visa o fortalecimento da rede primária, como unidades básicas de saúde e de pronto-atendimento, e o segundo é a implantação do HospSus. Trata-se de um programa que dá prioridade à liberação de recursos do Estado para os hospitais social e sanitariamente necessários para o atendimento do SUS.
Apesar da garantia de implantação dos projetos, ainda não existem previsões orçamentárias, nem quais seriam as instituições benficiadas. ''Ainda estamos definindo tudo isso, mas até o final do semestre ao menos o hospSus deve ter início.''

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