O 3º Distrito Policial, que hoje é utilizado como a carceragem feminina em Londrina, terá um delegado exclusivo. O anúncio foi feito ontem pelo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Sebastião Ramos dos Santos Neto, durante visita técnica ao local. A vistoria foi feita por uma comissão formada por diversas entidades, entre elas a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Ministério Público Estadual, Ordem dos Advogados do Brasil, Pastoral Carcerária, Conselho Municipal de Direitos das Mulheres, Rede de Mulheres Negras do Paraná, Associação Nós do Poder Rosa, entre outras.
"Fiz ofício hoje (ontem). Informei a divisional e acredito que não tenha problema para que eles aceitem esse pedido. As coisas vão melhorar", garantiu. Santos Neto destacou que solicitou que o delegado William Douglas Soares assuma o cargo.
O delegado Soares afirmou que foi uma surpresa quando soube que seu nome foi indicado para assumir o 3º DP. "Preciso ter uma nova conversa com o delegado Sebastião para saber quando assumo, qual a equipe de trabalho ficará disponível e se vai ser permitida uma outra remoção. O 3º DP não tem delegado titular há oito meses e preciso me ambientar para saber o que vou encontrar lá", explicou.
Com isso, Soares deixará a Delegacia da Criança e do Adolescente, que ficará sob responsabilidade do delegado do 6º Distrito de Londrina, Acácio de Azevedo. "Como o 6º DP não possui carceragem, ele poderá acumular as duas delegacias", afirmou Santos Neto.
O 3º DP tem 36 vagas, mas atualmente possui 67 presas, das quais 12 já são condenadas e outras duas teriam direito ao regime semiaberto. O local abriga ainda quatro grávidas, que aguardam a realização de exame pelo Instituto Médico-legal antes que sejam transferidas para um presídio em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). O interior do Paraná não tem presídios nem casas de custódias femininas.
Também com o objetivo de humanizar as condições das presas, Santos Neto pretende solicitar que sejam alocadas agentes de carceragem femininas para cuidar das presas no 3º DP. "Não dá mais para admitir que homens fiquem cuidando de mulheres. É uma situação que no século em que estamos soa absurda e é uma situação que incomoda."
O padre Edvan Pedro dos Santos, da Pastoral Carcerária, alertou para a questão da saúde das detentas. "Principalmente porque as mulheres enfrentam doenças como o câncer de mama ou de útero", relatou. Uma das detentas, presa por tráfico de drogas, reclamou que precisou ser internada no hospital, mas isso não foi possível porque não havia escolta para acompanhá-la. "Fui atendida no hospital, mas tiveram que me trazer de volta por causa disso", relatou. "Estamos em sete pessoas em um espaço pequeno. Não temos cama, dormimos em um colchão no chão. Quando chove tem goteiras e fica complicado para a gente", complementou.
A promotora Cláudia Rodrigues de Moraes Piovezan afirmou que o Ministério Público tem feito visitas mensais às carceragens. "Vamos pedir primeiro administrativamente para que as condições sejam melhoradas. Se for preciso entraremos com uma ação civil pública contra essas situações de omissão do Poder Público", prometeu.

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