Superlotação volta ao pronto-socorro do HU
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O pronto-socorro do Hospital Universitário (HU) de Londrina começou a semana superlotado. Ontem à tarde, 47 pessoas dependiam da liberação dos 26 leitos ocupados na enfermaria para saírem dos corredores. Há dois meses o hospital adotou o atendimento referenciado, priorizando as urgências e emergências, mas ainda assim o final de semana foi tumultuado.
Uma das pacientes internadas no corredor ontem era a dona de casa Rita Penha Correia, 67 anos, que padece do intestino há muito tempo. ''É a terceira vez, neste ano, que sou internada aqui. Pela manhã, o movimento de pessoas era maior. Espero ir para casa amanhã (hoje)'', disse a paciente, que deverá ser operada no final de junho. O estudante Carlos Vasconcelos, 15 anos, também mostrava-se conformado com a situação. Durante esta entrevista, o garoto permanecia numa cadeira de rodas à espera que engessassem seu braço esquerdo.
Situação pior viviam quatro pessoas entubadas na fila da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Conforme Francisco Eugênio Alves de Souza, diretor-superintendente do HU, a Central de Leitos procurava vaga para elas, inclusive em outras cidades. ''O problema é que, algumas vezes, existe disponibilidade fora de Londrina e a família do paciente não quer a transferência. Como a única diferença é a acomodação, elas preferem ficar aqui'', justificou o médico.
Dilema parecido é experimentado pelos candidatos às cirurgias eletivas que necessitam de vaga em UTI. Em caso de superlotação nesta ala, o procedimento é suspenso e a pessoa é liberada. Porém, não há garantias que, em nova data, o quadro será diferente. ''É por isso que alguns preferem a internação por tempo indeterminado ao risco de perder a vaga na UTI. Não podemos impedi-los, mas é claro que a ocupação desnecessária dos leitos acarreta problemas'', explicou Souza quando indagado sobre uma mulher que estava nessa condição há três semanas.
A expectativa é que a ampliação do pronto-socorro, cujo término está previsto para outubro, desafogue a unidade. A intenção do Estado é acrescentar 18 novos leitos ao bloco. A direção do HU espera ainda para 2008 a conclusão da UTI 3, com 10 leitos destinados exclusivamente às cirurgias eletivas. Segundo Souza, para ambas obras a solicitação de profissionais capacitados já foi enviada ao governo, mas até agora não há resposta.


