Superlotação suspende atendimento no HU
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
A grande demanda de pacientes e a falta de espaço físico provocou a suspensão temporária do atendimento do Pronto Socorro (PS) Geral do Hospital Universitário (HU) ontem de manhã. Segundo o médico plantonista responsável pela ala que teve o atendimento suspenso, José Roberto de Almeida, 36 anos, o Pronto Socorro do HU tem capacidade para internar 34 pacientes nas cinco especialidades (Pediatria, Obstetrícia, Ortopedia, Cirurgia e o Geral), e ontem de manhã 33 vagas estavam ocupadas. ''Reservamos uma vaga para garantir o atendimento dos casos de urgência'', explicou.
O médico observou que a suspensão temporária do atendimento no PS do HU tem sido uma medida adotada constantemente. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, anteontem o atendimento no PS Cirúrgico ficou suspenso das 7 horas às 10 horas. O PS Geral também já havia ficado como o atendimento paralisado das 20 horas de terça-feira até às 7 horas da manhã de ontem, quando foi reaberto, mas voltou a ser suspenso às 8 horas por falta de leitos. O atendimento só foi retomado às 15 horas de ontem.
Almeida afirmou, no entanto, que mesmo com a capacidade esgotada, alguns casos mais graves acabam sendo atendidos. ''Assumi o plantão do PS com três pacientes internados que passaram a noite em cadeiras. Não podemos deixar de atender, quando todos os espaços estão ocupados utilizamos inclusive nossos consultórios, e em último caso até cadeiras'', comentou.
Um dos pacientes que ficou internado em cadeira foi o aposentado Benedito Cândido Costa, 68 anos. Vítima de uma intoxicação provocada por um medicamento que usa regularmente, Costa disse que chegou ao HU às 22 horas de terça-feira, e foi atendido às 2 horas da madrugada de ontem. ''Estava muito mal, e me diziam que teria de esperar porque tinha muita gente. E quando fui atendido, tive de ficar na cadeira'', contou.
O plantonista disse que o problema de excesso de pacientes no PS do Hospital Universitário também é uma questão cultural da população que procura o local. ''Muitos pacientes que nos procuram poderiam resolver seus problemas em uma Unidade Básica de Saúde ou então nos Hospitais da Zona Norte ou da Zona Sul, mas acabam optando em vir aqui, atrapalhando o andamento dos trabalhos'', afirmou.
A doméstica Maria do Carmo de Oliveira, 44 anos, disse que chegou ao PS do HU ontem às 7 horas, e até às 11h35 ainda aguardava pelo atendimento. ''Na semana passada fui até o Hospital da Zona Sul onde diagnosticaram que eu estava com pneumonia. Mas como não melhorei até hoje resolvi vir até aqui. Não me importo em esperar o tempo que for, mas prefiro ser atendida aqui no HU'', comentou.


