Superlotação nas cadeias do Litoral
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Todas as delegacias do litoral do Paraná estão superlotadas. Um levantamento feito pela FOLHA mostra que existem 443 presos onde deveriam estar apenas 95. Às vésperas do feriado de Carnaval, a única solução possível é a transferência de detidos para o Centro de Triagem 2 (CT2), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), quando existem vagas.
Na quarta-feira, o titular da Delegacia do Balneário Pontal do Sul, Otacílio Bovollin, foi chamado à Câmara Municipal de Pontal do Paraná para prestar esclarecimentos sobre a situação da carceragem sob sua responsabilidade. O espaço, com capacidade para até 18 presos, chegou a abrigar 78 pessoas, sendo um albergado. Desde então, 12 detidos foram transferidos para o CT2, mas na madrugada de ontem, três homens flagrados por homicídio foram levados para a delegacia. De acordo com Bovollin, durante o ano a média de detidos fica entre 30 e 35. Ele atribui o aumento de mais de 100% ao trabalho da polícia durante a Operação Viva o Verão.
"O lado ruim é a superlotação. Temos problema com a alimentação e condição de higiene dos presos, que ficam em situação sub-humana. Sem contar o medo que passa para a população". Os cuidados dos presos vêm sendo possíveis com o reforço de pessoal proporcionado pela Operação Verão. Mas, segundo Bovollin, a delegacia precisaria de pelos menos mais quatro funcionários para garantir a segurança de presos e da comunidade. Para o feriado, o delegado apenas reza. "Só se Jesus vier pular o Carnaval aqui é que resolve", ironiza.
Para Valmir Soccio, chefe da subdivisão de Paranaguá, que coordena as delegacias do Litoral, a situação de superlotação generalizada se deve ao grande aumento no número de prisões nesta temporada. Teriam sido mais de 500 desde o início da operação. "Está bem superior aos anos anteriores. Tivemos 35 novos presos apenas de anteontem para ontem. Esse foi o número de tranferências para Piraquara em toda a semana", afirma.
Em Antonina, a delegacia com capacidade para apenas quatro presos estava, ontem, com 59. Segundo funcionários, a média nesta temporada tem se mantido em 62. Essa leve redução se deve a uma remoção. Paranaguá tem a capacidade, oficial, de 27 presos. De acordo com Soccio, o espaço abriga "tranquilamente" entre 50 e 60. O total, ontem, chegava a 180. Conforme explica Soccio, a solução imediata é apenas a transferência, que deve dar um "fôlego" para o feriadão. "Mas, ainda não sabemos quantas pessoas serão removidas. Isso depende de abrir vaga", diz. Ele afirma que não foram registradas rebeliões neste período, mas alguns tumultos que foram rapidamente contidos. A longo prazo, a solução esperada pelos delegados é a instalação de uma cadeia pública em Paranaguá. A construção do minipresídio está em fase de licitação, com previsão do início das obras em abril.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) respondeu, através de sua assessoria de imprensa, que espera que o problema de superlotação seja resolvido com a construção das celas modulares, anunciada pelo governador Roberto Requião no fim de janeiro. Sobre a possibilidade de uma solução dessa situação para o Carnaval, a Sesp informou não ter uma resposta. A secretária da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seção Paraná (OAB-PR), Izabel Mendes, afirmou que não tinha conhecimento pleno dessa situação levantada pela reportagem. Imediatamente, ela entrou em contato com a Divisão Policial do Interior pedido providências. A comissão deve visitar às delegacias na semana após o Carnaval. Sobre a situação de Pontal do Sul, os vereadores decidiram elaborar um ofício que seria entregue ainda ontem ao secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari. (Colaborou Diego Ribeiro)


