Todas as delegacias do litoral do Paraná estão superlotadas. Um levantamento feito pela FOLHA mostra que existem 443 presos onde deveriam estar apenas 95. Às vésperas do feriado de Carnaval, a única solução possível é a transferência de detidos para o Centro de Triagem 2 (CT2), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), quando existem vagas.
Na quarta-feira, o titular da Delegacia do Balneário Pontal do Sul, Otacílio Bovollin, foi chamado à Câmara Municipal de Pontal do Paraná para prestar esclarecimentos sobre a situação da carceragem sob sua responsabilidade. O espaço, com capacidade para até 18 presos, chegou a abrigar 78 pessoas, sendo um albergado. Desde então, 12 detidos foram transferidos para o CT2, mas na madrugada de ontem, três homens flagrados por homicídio foram levados para a delegacia. De acordo com Bovollin, durante o ano a média de detidos fica entre 30 e 35. Ele atribui o aumento de mais de 100% ao trabalho da polícia durante a Operação Viva o Verão.
"O lado ruim é a superlotação. Temos problema com a alimentação e condição de higiene dos presos, que ficam em situação sub-humana. Sem contar o medo que passa para a população". Os cuidados dos presos vêm sendo possíveis com o reforço de pessoal proporcionado pela Operação Verão. Mas, segundo Bovollin, a delegacia precisaria de pelos menos mais quatro funcionários para garantir a segurança de presos e da comunidade. Para o feriado, o delegado apenas reza. "Só se Jesus vier pular o Carnaval aqui é que resolve", ironiza.
Para Valmir Soccio, chefe da subdivisão de Paranaguá, que coordena as delegacias do Litoral, a situação de superlotação generalizada se deve ao grande aumento no número de prisões nesta temporada. Teriam sido mais de 500 desde o início da operação. "Está bem superior aos anos anteriores. Tivemos 35 novos presos apenas de anteontem para ontem. Esse foi o número de tranferências para Piraquara em toda a semana", afirma.
Em Antonina, a delegacia com capacidade para apenas quatro presos estava, ontem, com 59. Segundo funcionários, a média nesta temporada tem se mantido em 62. Essa leve redução se deve a uma remoção. Paranaguá tem a capacidade, oficial, de 27 presos. De acordo com Soccio, o espaço abriga "tranquilamente" entre 50 e 60. O total, ontem, chegava a 180. Conforme explica Soccio, a solução imediata é apenas a transferência, que deve dar um "fôlego" para o feriadão. "Mas, ainda não sabemos quantas pessoas serão removidas. Isso depende de abrir vaga", diz. Ele afirma que não foram registradas rebeliões neste período, mas alguns tumultos que foram rapidamente contidos. A longo prazo, a solução esperada pelos delegados é a instalação de uma cadeia pública em Paranaguá. A construção do minipresídio está em fase de licitação, com previsão do início das obras em abril.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) respondeu, através de sua assessoria de imprensa, que espera que o problema de superlotação seja resolvido com a construção das celas modulares, anunciada pelo governador Roberto Requião no fim de janeiro. Sobre a possibilidade de uma solução dessa situação para o Carnaval, a Sesp informou não ter uma resposta. A secretária da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seção Paraná (OAB-PR), Izabel Mendes, afirmou que não tinha conhecimento pleno dessa situação levantada pela reportagem. Imediatamente, ela entrou em contato com a Divisão Policial do Interior pedido providências. A comissão deve visitar às delegacias na semana após o Carnaval. Sobre a situação de Pontal do Sul, os vereadores decidiram elaborar um ofício que seria entregue ainda ontem ao secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari. (Colaborou Diego Ribeiro)

mockup