Superlotação incentiva fugas de presos
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terça-feira, 13 de novembro de 2001
Andréa Lombardo<br>De Curitiba 
A fuga da delegacia de Pinhais e a tentativa de fuga da delegacia de Araucária, no último sábado, trouxeram, novamente, à tona um problema que afeta, de modo geral, todos os distritos policiais e delegacias da Região Metropolitana de Curitiba: a superlotação e a falta de segurança. O secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares, aponta a obra da Casa de Custódia de Curitiba e da Prisão Estadual de Piraquara como solução para desafogar as cadeias.
''É um problema muito sério, que nos incomoda muito. Por isso, estamos cuidando da forma mais objetiva possível para resolver tanto a questão dos presos condenados como os provisórios'', afirmou Tavares. Ele alega que a prisão de Piraquara será inaugurada no começo de 2002 e a Casa de Custódia em seis meses. As duas unidades vão abrir 1.050 vagas. O secretário afirmou que é necessário haver maior agilidade por parte da Vara de Execuções Penais no julgamento das progressões de pena.
Tavares admitiu que a superlotação nas cadeias é uma das principais causas das fugas. Da delegacia de Pinhais, 17 presos fugiram na noite de sábado. Os presos renderam os três policiais que faziam o plantão um deles com uma pistola 9 milímetros. O delegado titular de Pinhais, Edmundo Hasselmann, que chegava na delegacia no momento da fuga, também foi rendido.
O delegado admite que a delegacia de Pinhais tem problema de superlotação. A carceragem, que tem capacidade para 16 presos, abrigava 33. Além da superpopulação carcerária, ele afirma que a delegacia ''não apresenta requisitos básicos de segurança''. Essa é a terceira fuga em massa da delegacia de Pinhais este ano.
Uma tentativa de fuga da delegacia de Araucária, também no último sábado, acabou com um preso morto e outro ferido. Mário Scorcel Júnior, 31 anos, que teria tentado evitar a fuga, foi atingido por um disparo na axila esquerda pela delegada Delair Manfron. Juriel Alves Cavalheiro, 26 anos, que tentou fugir, levou dois tiros no abdômen e está internado no Hospital do Trabalhador. O delegado Joel Bino de Oliveira, por meio de sua superintendência, negou que Scorcel fosse ''preso de confiança'', mas informou que o detento, acusado de furto, realizava serviços externos. Na carceragem, 40 presos dividem o espaço que tem capacidade para 16 detentos.
Outro exemplo claro da deficiência do sistema prisional da região metropolitana está no 1º Distrito Policial de Curitiba. A cadeia foi interditada há mais de um ano pelo juiz Roberto Antonio Massaro, da Vara Execuções Penais, mas até agora continua abrigando 13 presos, quando poderia comportar apenas oito. O delegado Fauze Salmen reconhece que está desobedecendo uma determinação judicial, mas diz que não tem alternativa, senão prender os criminosos autuados em flagrante.


