Superlotação gera brigas em Ponta Grossa
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
A superlotação do Presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, está facilitando a formação de grupos rivais. Nos últimos sete dias, foram registradas três brigas no interior da cadeia. Ontem a vítima foi Alisson da Silva, preso na última sexta-feira por roubo. Quando assinava a documentação para deixar o presídio, outros cinco detentos começaram a lhe agredir. Alisson teve vários ferimentos e precisou ser encaminhado ao Pronto Socorro Municipal, onde ficou internado.
O diretor do presídio, delegado Mário Machado, explica que por causa da superlotação fica difícil para os policiais controlar situações como a de ontem. O presídio tem capacidade para 80 presos, mas abriga hoje 213. Não há lugar para todos nas celas. Então, muitos detentos estão ficando nas galerias e corredores, lugares que deveriam ser usados para manter a ordem dentro do presídio, explica.
Os detentos chegam a disputar um lugar nas celas. Isso porque, quem precisa ficar nos corredores não tem acesso a banheiro. Eles estão fazendo suas necessidades em jornais e potes de plástico. Dormem no chão e consideram que os que têm uma cela são privilegiados, conta Machado.
Outro fato que tem revoltado os detentos é a proibição de entrega de marmitas no presídio. Familiares de muitos detentos costumavam levar a alimentação até o presídio. Mas na semana passada a juíza corregedora, Vânia Kraemer, proibiu a prática. Ela alega que não é justo que os que têm melhores condições financeiras tenham acesso a alimentação diferenciada e alega ainda que essa prática acaba criando um comércio dentro da cadeia.
A intenção da juiza é estruturar a cozinha para dar melhores condições a todos. Hoje, a cadeia conta com um fogão que já tem 15 anos e nunca passou por uma manutenção.
A falta de pessoal é outro problema enfrentado no presídio.


