Curitiba - Oitenta e um presos apinhados em celas com capacidade para 16 pessoas; 16 condenados em regime semi-aberto que já deveriam estar em liberdade durante o dia; dez feridos com balas de borracha e vários detentos com problemas de pele, como micose e sarna. É essa a situação da Delegacia de Polícia de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, constatada ontem, em inspeção feita pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Paraná (OAB-PR) e Vigilância Sanitária, a pedido do juiz José Orlando Cerqueira Bremer, da Vara Criminal de Pinhais.
A decisão de fazer a vistoria foi tomada depois que familiares dos presos fizeram uma manifestação, na quinta-feira, em frente ao Fórum do município para pedir providências. ''Eu já sabia o que ia encontrar, vivo mandando relatórios, o problema é que não se faz nada para mudar'', reclamou o juiz.
Para comportar todo mundo, muitos detentos têm que ficar nos corredores. Como ali não há sanitário, eles urinam em garrafas pet. Para dormir, eles improvisaram redes com cobertores. ''Tem que se revezar, não dá pra todo mundo dormir ao mesmo tempo'', diz um dos detentos. O calor também é insuportável. As celas não têm janelas e o ar só entra por pequenas aberturas gradeadas no alto da parede do corredor. ''A temperatura aqui chega fácil a 40 graus'', conta outro preso.
Para piorar a situação, durante uma vistoria nas celas, na segunda-feira, aconteceu um incidente, a Polícia Militar interveio e disparou balas de borracha nos presos. Pelo menos dez detentos mostraram marcas de ferimentos, ontem, durante a inspeção da OAB.
A advogada e secretária da comissão da OAB, Isabel Kugler Mendes, disse que chama a atenção a quantidade de presos que deveriam estar em regime semi-aberto e, ainda, a faixa etária predominante: 90% dos detidos têm menos de 25 anos. Ela afirma que situação semelhante tem sido constatada em todas as inspeções da OAB nas delegacias do Estado. Em média, 70% dos presos são primários, 75% têm menos de 25 anos e 90% dos crimes têm ligação com drogas.
Segundo o promotor Henrique Cesar Cleto, que também acompanhou a ação, o primeiro resultado prático será o envio de um médico pelo município, na próxima semana. Um relatório elaborado pela OAB, Vara Criminal e Promotoria será enviado para o governo do Estado, com pedido para que seja determinada a imediata construção de prédio para a delegacia de Pinhais. Segundo o juiz, um terreno já foi doado e está disponível.
A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública que informou, por meio da assessoria de imprensa, que só irá se pronunciar sobre o caso após receber o relatório.

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