Superlotação fecha pronto-socorro do HU
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O Hospital Universitário (HU) de Londrina voltou a sofrer ontem com a superlotação. A diretoria fechou quatro dos cinco prontos-socorros; 13 dos 18 boxes de atendimento de pacientes ficaram completamente lotados, sendo que apenas os cinco de pediatria não sofreram com o problema. Os 289 leitos de internação estavam na tarde de ontem com 298 pacientes, o que obrigou 22 pessoas que já tinham solicitação de internamento a ficarem nos corredores do hospital, em macas e cadeiras.
De manhã até o início da tarde foram distribuídas 98 fichas para atendimento de pacientes, que seriam recebidos gradativamente. A partir daí, o HU recomendou que as pessoas na fila procurassem outros hospitais da cidade. ''O hospital continua na UTI'', comentou o diretor-clínico Sinésio Moreira Júnior, em referência às seguidas oportunidades em que o HU teve seu atendimento comprometido pela superlotação.
Segundo ele, a interdição dos prontos-socorros seguiria por tempo indeterminado. Mal acomodados pelos corredores, os pacientes que aguardavam internação passavam por momentos tensos. O aposentado Nélson Tavares, 74 anos, contou que é diabético e que regularmente sofre com um problema no esôfago.
''Cheguei ao hospital às 8 horas, fui atendido, mas até agora (15 horas), não fui medicado, não me colocaram o soro. Tinha uma endoscopia marcada para às 13h30, mas já avisaram que, por causa da superlotação, só vou fazê-la na sexta-feira'', disse Tavares. O aposentado contou que, devido ao problema no esôfago, perdeu peso.
A empregada doméstica Ângela Maria Ramazotti aguardava pelo internamento de sua avó, Luzia Inácia, 89 anos, que tem problemas no intestino. Segundo ela, as duas tinham chegado ao HU no dia anterior, por volta das 19 horas, e só teriam sido atendidas às 2h30 de ontem. ''Ficamos no frio e minha avó passou muito mal, sentiu dores, vomitou'', reclamou a doméstica. Com os leitos ocupados, Luzia esperava numa maca no corredor.
Pela manhã, Moreira entrou em contato com os outros hospitais de Londrina e com o promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, que esteve no HU à tarde. O promotor acionou o Hospital Evangélico, que aceitou receber quatro pacientes, e a 17 Regional de Saúde, para disponibilizar leitos em outros hospitais da região, objetivo que não havia sido alcançado até o fechamento desta edição.
Segundo Tavares, a solução definitiva será a ampliação do pronto-socorro do HU: já existe um projeto que garantiria 20 novos leitos, ao custo de R$ 2 milhões. ''Vamos intensificar esforços para que essa ampliação seja feita o mais rápido possível'', disse o promotor. Dos outros hospitais da cidade, apenas a diretoria do Hospital da Zona Norte (HZN) informou ter sentido um aumento no movimento devido à superlotação no HU. De acordo com o diretor-administrativo do HZN, Antônio José Santiago, o fluxo de pacientes no local aumentou cerca de 30% na tarde de ontem.


