Superlotação faz zôo rejeitar animais
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terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Arquivo FolhaÚnico abrigoOs viveiros do Bosque Guarani abrigam 707 animais que convivem com a falta de espaço e o calor excessivoOs abrigos do Zoológico Bosque Guarani, em Foz do Iguaçu, estão superlotados de animais por causa do grande volume de apreensões na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. A Secretaria do Meio Ambiente decidiu ser mais criteriosa na seleção das doações e nos pedidos para abrigar animais apreendidos. A direção do bosque está encontrando dificuldades para conseguir vagas em outros zoológicos do Estado, que também estão superlotados.
Com capacidade para atender quase metade da lotação, o Bosque Guarani abriga 707 animais de 52 espécies, entre eles estão 438 répteis de 52 espécies, 242 aves de 41 espécies, 27 mamíferos de 7 espécies. Estamos com animais excedentes e corremos contra o tempo para achar abrigo para eles, informou o diretor do zoológico, biólogo Ivo Borghetti.
Borghetti explica que a legislação para a construção de zoológicos é rígida e não permite grande densidade de animais num mesmo viveiro. A maior consequência disso é o estresse verificado nos animais que vivem em grandes comunidades e em locais pequenos.
A maior preocupação é com a falta de locais para abrigar animais apreendidos diariamente na fronteira. Além do Bosque Guarani, não existem mais vagas no Parque das Aves, um criadouro particular, nem no Refúgio Biológico da Hidrelétrica de Itaipu, onde há viveiros mantidos pela empresa binacional.
Na semana passada, o zoológico do Bosque Guarani recebeu três gaviões de cauda, um casal de cisnes negros e quatro tucanos de bico verde, que vieram de Curitiba. Mais 28 papagaios e 25 cardeais foram apreendidos pela Polícia Federal. Sem local adequado, nove papagaios morreram.
A maioria dos animais apreendidos, segundo levantamento da Polícia Federal - que fiscaliza as fronteiras brasileiras com a Argentina e o Paraguai - vem do Chaco, uma região com imensas florestas em território paraguaio.
Segundo dados da WWF (Fundo Mundial da Natureza) - órgão ligado à Organização das Nações Unidas -, 12 milhões de animais silvestres são retirados do habitat natural para serem comercializados ilegalmente. Isso faz com que o tráfico de animais silvestres perca apenas para o de drogas e armas. Estima-se que o tráfico de animais movimente cerca de US$ 10 bilhões ao ano.
Na semana passada, um encontro entre o secretário do Meio Ambiente de Foz, Ramiro Leite, e as polícias Rodoviária, Florestal e Federal, além de representantes da Itaipu, Parque das Aves, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturáveis Renováveis (Ibama) traçou uma linha comum para combater o tráfico de animais.
Para tentar reverter o quadro será deflagrada uma campanha de combate ao tráfico com distribuição de panfletos e instalação de placas nas fronteiras.


