Quatrocentos e vinte e sete pessoas sendo que a capacidade é para 134. A superlotação é uma rotina antiga dos distritos policiais (DPs) de Londrina. Convivendo com essa realidade há 18 anos, o advogado criminalista André Luiz Gonçalves Salvador decidiu solicitar à Vara de Execuções Penais (VEP) a interdição dos quatro DPs que possuem carceragem.
''Estou na VEP há oito anos. O problema de superlotação sempre esteve presente na rotina dos distritos'', avalia o juiz da VEP, Roberto do Valle. Segundo ele, o Paraná dispõe de 6 mil vagas em carceragens provisórias ocupadas por 8 mil pessoas, aproximadamente. Ele argumenta que dificilmente irá decretar a interdição porque a não há outro local para levar os presos.
Valle antecipa ser complicada, inclusive, a interdição parcial dos distritos. ''Se interditar vai mandar os presos para onde?'', questiona. De acordo com ele, na interdição parcial a entrada de novos presos é proibida, a superlotação diminui gradativamente à medida que os presos vão sendo liberados. Quando ocorre interdição total todas as pessoas precisam ser retiradas da carceragem.
Para analisar a situação, o juiz afirma que irá solicitar, nesta semana, laudos para o Corpo de Bombeiros, Secretaria de Saúde e Departamento de Construção, Obras e Manutenção (Decon) da Secretaria Estadual de Obras sobre as condições dos distritos. O 2º DP, na Zona Leste, é o que está mais superlotado. Com 12 celas, o 2º DP tem capacidade para 52 pessoas, 212 encontravam-se detidas, na tarde de ontem.
A única solução, em andamento, que poderia equacionar o problema de superlotação nos distritos, na opinião de Valle, é a conclusão da obra do Centro de Detenção. Segundo o projeto, o Centro terá 960 vagas e deveria ser concluído em 10 meses. Por problemas na demarcação das divisas do terreno doado pela Prefeitura de Londrina a obra, que começou efetivamente em março, está parada.
Valle relata que luta também pela ampliação do número de vagas por cela na Casa de Custódia. O projeto original tinha espaço para quatro pessoas, uma solicitação anterior conseguiu ampliar para seis o número de vagas. Agora Valle busca a apliação em mais duas vagas por cela.
O que estaria emprerrando a viabilidade desse projeto de ampliação é a estrutura de esgoto do prédio da Casa de Custódia, esclarece o juiz. O reservatório que acumula os dejetos seria pequeno para permitir a entrada de mais presos. O juiz admite que enquanto não há uma solução definitiva ''é necessário administrar a situação de crise''.
Para delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP) Jurandir Gonçalves André as duas interdições parciais que aconteceram no ano passado ''não resolveram o problema de superlotação e só geraram custos''. Ele ressalta que os distritos não estão trabalhando em condições ideais, mas ''tentando administrar os problemas''.

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