Superlotação em UTIs causa divergência
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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Menos de uma semana após a morte de um jovem que aguardava por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Universitário (HU) de Londrina, autoridades amenizaram a superlotação dos hospitais em reunião realizada ontem na Câmara de Vereadores. O encontro que deveria servir para levantar soluções acabou sem novidades práticas.
A secretária municipal de Saúde, Marlene Zucolli, apresentou resultados das auditorias operativas promovidas pela pasta por meio de visitas semanais aos hospitais de Londrina. Segundo ela, o estudo apontou que a taxa de ocupação média das UTIs nos hospitais Evangélico, Santa Casa e Universitário tem sido de 85%. ''São os picos, como o ocorrido na semana passada, que apertam mais. Mas no decorrer dos meses, não estamos utilizando 100% da capacidade das UTIs'', afirmou.
O vereador Tercílio Turini, presidente da Comissão de Seguridade Social da Câmara e médico do Pronto Socorro (PS) do HU, se declarou surpreso com os dados. ''Faz muitos meses que dou plantão e não consigo colocar os pacientes na UTI. Hoje (ontem) tínhamos quatro entubados no corredor'', relatou. A secretária ponderou então que, especificamente no caso da UTI adulta do HU, a ocupação média é de 96%.
''O pessoal (da auditoria) deve ter passado naquele período em que um paciente recebe alta e outro está esperando autorização para subir. A nossa ocupação é de 100%, passando de 130% nas UTIs neonatais'', disse à FOLHA o superintendente do HU, Francisco Eugênio de Souza. ''Além disso, é preciso ter uma margem de segurança. Imagine se um ônibus tomba gravemente com 40 pessoas na região'', cogitou.
O diretor-superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, concordou que a ocupação das UTIs no hospital filantrópico não é total, mas também frisou o risco de um incidente de grande porte que demande mais vagas. Ele defendeu a criação de leitos de UTI semi-intensiva para desafogar a rede, cujo custo é quase a metade das UTIs tradicionais. ''Com R$ 100 mil por mês, poderíamos implantar 30 desses leitos nos três hospitais'', afirmou, explicando que muitas vezes o paciente de UTI sai da fase de maior risco e requer menos equipamentos.
Marlene confirmou a necessidade de ter ''uma margem de segurança para os momentos de pico'' e admitiu que, apesar da subutilização apontada pela auditoria, há um déficit de 15% nas UTIs para atender a demanda de toda a região. ''Se atendêssemos só Londrina, estaríamos dentro das expectativas. Mas temos 132 leitos de UTI (SUS e convênios) para a região'', observou. Conforme a secretária, o mesmo déficit se repete com relação aos leitos gerais: seriam necessários 15% a mais do que os 2.187 disponíveis.
O diretor da 17 Regional de Saúde (RS), Adilson de Castro, concordou que a superlotação nas UTIs é ''sazonal'' e disse que está mais preocupado com o setor de urgência e emergência, que ficará ainda mais estrangulado com a reforma do PS do HU, prevista para começar em dois meses. ''Podemos nos preparar para uma situação de guerra'', alardeou. Uma reunião marcada para o dia 3 de julho irá discutir a triagem de pacientes nos prontos-socorros.


