Superlotação é rotina nas cadeias da região
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de abril de 2002
Maranúbia Barbosa Reportagem Local 
Os delegados de polícia estão exercendo a função de diretor de presídio. A afirmação, de um delegado de um município vizinho a Londrina, reflete a realidade da maioria das delegacias da região Norte, que se transformaram em prisões compulsórias. Existem casos de presos condenados que estão cumprindo pena em delegacia há cerca de três anos. Ontem, a reportagem da Folha entrou em contato com 18 municípios da região de Londrina. Apenas cinco (27%) não apresentavam problemas de superlotação, mas estavam perto do limite da capacidade de vagas.
A situação, segundo alguns delegados, tende a se agravar enquanto não se resolver a questão carcerária da região. Ninguém quer os presos, ironizou um delegado. Uma das unidades mais problemáticas, a de Cornélio Procópio, que dispõe de 32 vagas, abrigava ontem 80 presos, 150% acima do limite.
Em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), o número de detentos ontem era de 55, quando o limite é para 28. Segundo o delegado de Arapongas, Waldir Abraão, para contornar a tensão permanente, é preciso estender o horário dos banhos de sol e caprichar na comida.
O Estado repassa R$ 0,80 por dia para alimentar os presos, o que não dá nem para a saída, reclamou um delegado. As doações da comunidade e a ajuda das prefeituras, que além de contribuir com mantimentos ainda disponibiliza cozinheiros, são paliativos, observou. Outra reclamação dos delegados diz respeito ao desvio de função dos investigadores, que têm que ser destacados para trabalhar como carcereiros e não podem atuar como foram contratados.
Na 2ª Delegacia Regional de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), interditada parcialmente na semana passada pelo juiz Alberto José Ludovico, a situação ontem continuava a mesma. Com um número fixado em 15, a delegacia permanecia com 29 detentos. Sem encontrar lugar para remover os presos, o delegado Walter Helmut Echert Júnior não teve como cumprir a ordem judicial.
Em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), o quadro ontem era 49 pessoas, quando só existe lugar para 24. Em Cambé (13 km a oeste de Londrina), 54 presos se acotovelam em celas onde caberiam 44. Superlotada também está a delegacia de Jacarezinho, que tinha ontem 53, para um limite de 40.
O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, compreende e compartilha da situação enfrentada pelos delegados. Ele disse que é policial há mais de 30 anos e o problema sempre existiu, mas está empenhado em acabar de vez com essa história de policial civil tomar conta de preso.
Segundo Ribeiro, a Casa de Custódia, inaugurada em novembro do ano passado, acabou se tornando pequena, mas existem planos de novas obras a caminho. Se dependesse de mim e do secretário de Segurança, José Tavares, a superlotação não existiria mais. Ele informou que em uma reunião em Brasília formalizou pedido de recursos para contrução de presídios regionais.


