Londrina – "Estou aqui há mais de oito dias", reclamou um dos detentos que enfrentava a superlotação na manhã de ontem no Centro Integrado de Triagem (CIT) na 10ª Subdivisão Policial em Londrina. As três celas, construídas para abrigar nove presos de forma provisória por até 48 horas, estavam com 12 homens, um deles há mais de uma semana. O rapaz aguarda transferência para Ponta Grossa (Campos Gerais). O crime cometido por ele não foi revelado. No sábado, o CIT chegou a abrigar 24 presos.
Com a superlotação, funcionários da Vara de Execuções Penais (VEP) estiveram na delegacia e negociaram a transferência de 12 homens para outras unidades de Londrina. A preocupação, conforme o superintendente da 10ª SDP, Márcio Ilkiu, é em relação ao feriado desta terça-feira, quando historicamente ocorre um alto número de prisões. "Há riscos aos policiais que estão aqui, a estrutura é precária e existe apenas para a triagem, mas a gente acaba tendo que guardar preso. Dependemos da Vara de Execuções Penais (VEP) para transferir essa demanda para os distritos. Existe a expectativa de construção de novas unidades prisionais para desafogar o sistema", completou.
O CIT é administrado de forma conjunta pelas polícias Civil e Militar e a superlotação virou rotina no local. O espaço não possui banheiros nem iluminação adequada para abrigar detentos. No início de fevereiro, seis presos fugiram do Centro Integrado. A estrutura precária recebeu melhorias no telhado para reforçar a segurança. Uma chapa de aço foi colocada nos fundos das celas para evitar novas fugas.
A interdição parcial das carceragens do 4º e do 5º distritos policiais de Londrina, em fevereiro do ano passado, compromete a transferência dos detentos que permanecem no CIT. De acordo com Ilkiu, inicialmente, 65 presos poderiam permanecer em cada um dos distritos, que têm capacidade para abrigar 24 homens cada. Nos últimos meses, a restrição passou a ser de 90 detentos em cada local. No entanto, as carceragens continuam superlotadas. Além do 4º e do 5º distritos, o 3º DP recebe apenas mulheres. O local, que deveria ter, no máximo, 25 presas, está com 75.
A reportagem tentou entrar em contato com o juiz da Vara de Execuções Penais, Katsujo Nakadomari, mas ele estava em Curitiba, de recesso. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária informou que a transferência para desafogar a subdivisão, os distritos e o CIT será "tratada como prioridade pela pasta", principalmente porque nesta semana o novo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sebastião Ramos dos Santos Neto, irá assumir o cargo. Segundo a assessoria, as conversas com o juiz da Vara de Execuções Penais e com a Promotoria da área também serão intensificadas. No entanto a assessoria não soube informar quando seriam realizadas as transferências.

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