Edson GuittiFrustraçãoLucia Helena, que sofreu hemorragia, com o marido e a filha: ‘‘O Pronto Atendimento não funciona’’ Criado há 40 dias para desafogar o atendimento no Pronto Socorro do Hospital Universitário (HU), o Pronto Atendimento 24 horas da Zona Norte, em Maringá, já está com excesso de demanda. A expectativa de atendimento era de 2.500 pacientes por mês, mas o Pronto Atendimento atendeu seis mil pacientes só em fevereiro e a estimativa deste mês é de cinco mil. Cerca de 70% dos atendimentos são realizados à noite, entre às 19 horas e 1 hora da madrugada.
O objetivo do Pronto Atendimento era atender os casos de emergência e urgência e pacientes com crises renais, asma e doenças oportunistas. Porém, muitos pacientes têm procurado o órgão para fazer consultas que poderiam ser agendadas nos postos municipais. ‘‘As pessoas estão preferindo ficar duas, três horas na fila e serem atendidas no mesmo dia, do que procurar os postos municipais e marcar a consulta’’, afirma o secretário de Saúde, Ivan Murad.
O Pronto Atendimento conta com apenas dois clínicos gerais e um pediatra à noite. A falta de médicos especialistas limita o atendimento e as críticas já começam a surgir.
Anteontem à noite, por exemplo, a dona-de-casa Lucia Helena da Silva não conseguiu ser atendida. Ela estava com hemorragia e precisava de um ginecologista. ‘‘Isto aqui não funciona. Nada funciona porque ninguém quer atender a gente’’, reclamava.
Lucia Helena disse que já tinha procurado atendimento em dois hospitais e no Pronto Socorro do HU. A hemorragia começou no início da noite. O marido dela, o motorista Aparecido José da Silva, também estava indignado. ‘‘Já é a segunda vez que a gente procura o Pronto Atendimento e não consegue nada. Na primeira vez, a minha mulher tinha cortado o dedo mas o médico daqui disse que não tinha sala para fazer o curativo. Agora não tem ginecologista.’’
Segundo o secretário, o Pronto Atendimento não foi criado para fazer consultas. ‘‘Mesmo se quiséssemos, o Pronto Atendimento não tem estrutura física para abrigar mais médicos especialistas.’’ Segundo ele, as pessoas devem procurar o Pronto Socorro do HU e os hospitais particulares da cidade para os casos mais graves.
O Pronto Atendimento não conta com cirurgião ou anestesista. Pacientes que apresentam pequenos cortes podem ser atendidos no local, mas os casos mais graves de acidentados devem ser encaminhados para o HU. ‘‘As críticas ocorrem justamente por causa de uma informação distorcida sobre os serviços prestados pelo órgão’’, reage Murad.

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