A superlotação e o atraso na entrega das novas penitenciárias vêm agravando ainda mais o problema carcerário em todo o Estado. Presos dormindo no chão, no banheiro e se revezando nas camas já se tornou rotina em distritos e delegacias do Paraná. As rebeliões, que antes aconteciam somente nos grandes presídios, agora também são frequentes nas pequenas carceragens.
A rebelião mais recente, no último final de semana, deixou o 3º Distrito Policial de Curitiba parcialmente destruído. Apesar da transferência de 37 presos para outras cadeias públicas de Curitiba, a carceragem do distrito das Mercês abriga o triplo de presos do que a capacidade original. A cadeia local foi construída para abrigar 40 presos e está com 112.
As visitas foram proibidas no distrito durante esta semana, enquanto uma reforma não é iniciada. ‘‘Estão proibidas as visitas por tempo indeterminado. O certo seria a interdição da cadeia e o reparo do local’’, argumentou o delegado. A transferência de detentos para outros distritos foi motivada pela rebelião ocorrida no último sábado, quando presos descontentes com a superlotação fizeram outros sete de reféns.
Sete detentos que ficaram feridos na rebelião estão sendo atendidos no Complexo Médico Penal (CMP), que tem capacidade para 280 presos e atende atualmente cerca de 360. Os outros 15 presos foram encaminhados para o 7º, 8º e 11º distritos. Todos superlotados. ‘‘A defasagem por vagas é grande. Este é o maior problema de segurança que temos no Estado’’, admitiu o delegado Benedito Gonçalves, do Departamento de Polícia Civil.
O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, disse que está estudando a situação e deverá pedir a reforma imediata do distrito das Mercês. A rebelião no 3º Distrito Policial aconteceu na mesma semana em que presos se amotinaram em Ponta Grossa. A rebelião no Mini-presídio Hidelbrando de Souza também foi por causa da superlotação. O local tem capacidade para 80 presos e abrigava 213 detentos.

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