Superlotação causa 182 fugas no ano
James Alberti
De Curitiba
De janeiro a maio deste ano ocorreram 182 fugas de presos de cadeias públicas do Paraná, conforme dados do Departamento da Polícia Civil. Do total, 145 aconteceram em delegacias do interior e 37 da Região Metropolitana de Curitiba. Segundo os dados da polícia, o índice de fugas diminuiu em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 230. A proporção em 1998, porém, é a mesma: 198 fugas aconteceram no interior e 32 na capital.
A principal causa das fugas é a superlotação de detentos, afirmou o porta voz do departamento, delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura. As celas das delegacias abrigam, conforme o levantamento, 4.238 presos, embora tenham capacidade para 2.447. Dos detentos presos, 1.861 já foram condenados e, segundo as leis do País, deveriam ter sido transferidos para presídios.
Apesar da frequência com que ocorrem, como a de anteontem (veja texto ao lado), Cartaxo considerou pequeno o índice de fugas registrado. Considerando as condições das cadeias e a inexistência de pessoal especializado para cuidar dos presos, esse índice é baixíssimo, disse. Para ele, as fugas sempre irão existir, enquanto houver deficiência do sistema penitenciário.
A deficiência deve durar, pelo menos, até o próximo ano. O governo do Estado tem previsão de aumentar em 1350 as vagas no presídios, segundo a assessoria de comunicação do Palácio Iguaçu. Na conta, estão as 510 vagas da ampliação na Penitenciária de Piraquara, as 240 da Penitenciária Industrial de Guarapuava e as 600 vagas das Penitenciárias de Maringá e Cascavel. As duas primeiras devem ser entregues ainda este ano ou no começo do ano 2000, conforme a assessoria. Não há previsão quanto ao término das últimas duas. Outras 280 vagas viriam da Penitenciária de Londrina. Estão previstas ainda para estes ano, 54 obras de reparos e ampliações nas cadeias das delegacias.
Enquanto as obras do governo não ficam prontas, o Departamento da Polícia Civil improvisa. Para minimizar os problemas enfrentados pelas delegacias, Cartaxo disse que serão desativadas as cadeias de todos os distritos, a exceção de três - o Centro de Triagem, o 11º e o 8º distritos. Todos os presos das delegacias da capital seriam, conforme ele, transferidos para esses três locais. Uma das razões das alterações, conforme o delegado, é o uso de diversas cadeias que já foram interditadas.





