Superlotação atrasa conclusão de inquéritos
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quinta-feira, 11 de abril de 2002
Maranúbia Barbosa Reportagem Local 
Os delegados de municípios da região de Londrina perdem até 90% do tempo que deveria ser gasto com inquéritos policiais, administrando a superlotação das delegacias. Segundo os delegados ouvidos pela reportagem, alguns inquéritos, que chegam a levar três meses para serem concluídos, poderiam ser solucionados em 30 dias. Eles afirmaram que o problema, que já se tornou crônico, pode ser conferido se forem examinadas algumas fichas de presos: muitos deles cumprem toda a pena na delegacia e só saem quando recebem alvará de soltura.
Anteontem, a Folha contatou 18 delegacias da região e constatou que a superlotação é uma rotina. Apenas cinco delas não estavam superlotadas. Algumas cadeias estão interditadas parcialmente, mas não há lugar na região para remover os detentos. Um delegado chegou a dizer que eles estavam exercendo a função de diretor de presídio.
Segundo um delegado, que pediu para não ser identificado, os investigadores deveriam estar centrados na busca de suspeitos e solução de crimes. Mas acabam se encarregando de levar presos ao hospital, acompanhá-los ao Fórum, cuidar das revistas em dia de visitas, atender os familiares, entre outras tarefas. Os delegados, como relataram, são obrigados a administrar a insegurança das unidades arcaicas, contornando a tensão dos presos amontoados nos cubículos e prontos para se amotinaram a qualquer momento.
Os delegados admitem que o tratamento dispensado aos presos dentro das unidades não regenera ninguém. A realidade do confinamento gera neles mais violência. A segregação da pessoa visa a recuperação, mas a realidade é bem outra. Damos ao preso uma pós-graduação, uma escola da criminalidade, denunciou um deles.
Conforme outro delegado, a sociedade, muitas vezes, cobra uma atuação da Polícia Civil, mas não se atenta para as limitações de trabalho dos policiais. Combatemos o efeito da criminalidade com o pouco que dispomos, mas não faz parte de nossa função trabalhar com as causas do problema. Ainda segundo o delegado, os furtos e roubos, além da violência doméstica, aumentam abruptamente nos dias que antecedem o pagamento de salários. Esse pico da criminalidade é chamado pelos delegados de época da fartura, quando farta, principalmente comida, dentro de casa.
Em entrevista à Folha anteontem, o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Leonyl Ribeiro, disse que está empenhado em acabar de vez com essa história de policial civil tomar conta de preso. Afirmou ainda que formalizou, junto ao governo federal, um pedido de recursos para a construção de presídios regionais.


