Superlotação ameaça saúde de bebês
Giovani Ferreira
De Curitiba
A superlotação da UTI neo-natal pode comprometer a saúde dos recém-nascidos no Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba. Com uma estrutura de 24 leitos, ontem à tarde o berçário estava abrigando 37 crianças. Como trata-se de bebês de alto risco, clinicamente frágeis, a lotação acima do que comporta a estrutura pode representar uma ameaça constante de infecção hospitalar.
Uma fonte de dentro do HC, que preferiu não se identificar, contou à Folha que em uma reunião no início da semana os médicos da pediatria entregaram um relatório à direção do hopsital, alertando para a situação e denunciando que o problema é grave. Alguns médicos entendem que o assunto é de saúde pública e deve ser acompanhado pelo Ministério Público.
Através de sua assessoria o hospital confirmou a superlotação, entendendo que o problema é técnico e que o excesso de pacientes não é uma constante, apesar de já ter acontecido outras vezes. Por causa da falta de vagas, o HC está direcionando alguns casos para outras maternidades da rede pública, como forma de garantir a qualidade do atendimento aos casos que já estão sendo acompanhados pelo hospital. De acordo com assessoria, o relatório dos médicos é um procedimento de rotina e revela uma preocupação com essa situação.
Como trata-se de um hospital público, mantido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e considerado referência no tratamento de diversas doenças, o HC atende não somente as crianças que nascem ali, como também aquelas encaminhadas por outros centros hospitalares. Apesar da falta de vagas, o HC acaba sendo obrigado a receber todos os recém-nascidos que chegam, porque senão eles acabam morrendo, explicou um médico que também não quis ser identificado.
A assessoria do hospital informou que todos os órgãos competentes já tomaram conhecimento da situação. A direção do HC teria comunicado o problema técnico à Promotoria da Defesa da Saúde Pública do Ministério Público, Central de Leitos, Conselho Regional de Medicina (CRM) e Secretaria Municipal da Saúde.
Na avaliação da fonte consultada pela Folha, com relação ao perigo da infecção hospitalar, a UTI neo-natal é uma bomba pronta para explodir. Por estar superlotada, a ala permite a propagação de doenças entre os bebês. As crianças que são atendidas no berçário de risco possuem no máximo um quilo e nascem prematuras ou com alguma doença genética ou adquirida no período de gestação.
Os problemas estariam relacionados à falta de investimentos no setor de pediatria, tanto por parte do governo federal como estadual. De acordo com informações obtidas pela Folha, o HC vem tentando resolver o probelma na UTI neo-natal há 10 anos. A solução passaria pela ampliação da estrutura física, a aquisição de novos equipamentos e contratação de pessoal, com a qualificação dos recursos humanos.
O presidente da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas, Alex Beltrão, disse ontem que não tinha conhecimento da situação. Explicou, que a associação não participa, necessariamente, de todas as reuniões da diretoria e do corpo clínico do hospital. Lembrando que a entidade funciona como uma estrutura de apoio aos vários setores do HC, ele garantiu que iria buscar maiores informações e esclarecimentos sobre o assunto.
A Vigilância Sanitária Municipal deve fazer uma vistoria na UTI neo-natal do HC. Apesar da gravidade da situação, Margarida Lenzi, diretora da Vigilância, disse que iria interar-se do assunto, mas que ainda não podia precisar quando a inspeção deve ser realizada, alegando que isso vai depender da disponibilidade das equipes de trabalho.





