Superlotação agrava saúde de presos
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terça-feira, 05 de agosto de 1997
Luka Morais 
Londrina
Dorico da SilvaDescasoDetenta com Aids passa o dia deitada no corredor do DP: prisão domiciliar foi pedida há 10 diasPelo menos cinco vezes ao dia os policiais do 2º Distrito Policial de Londrina, localizado na Vila Santa Terezinha (zona leste), precisam deixar de lado suas ocupações para encaminhar detentos que necessitam de atendimento médico-hospitalar. A superlotação na delegacia, que tem capacidade para abrigar 22 presos e está com 91, acaba agravando a situação de alguns detentos, entre eles uma presa portadora do vírus da Aids, que passa o dia deitada no corredor.
Ela vai morrer, precisa sair daqui, apela Simone Benedita Paulino, uma entre as 33 mulheres presas no DP. Ela está com um buraco enorme nas costas, de onde sai pus o tempo todo, está vomitando e tossindo sem parar. As colegas de cela contam que a presa teve um problema pulmonar e foi colocado um dreno para expelir a secreção.
O delegado Antonio Zuba de Oliva disse que já foi pedido há cerca de 10 dias a prisão domiciliar da presa, que é portadora do vírus HIV e, segundo atestaram os médicos, está em fase terminal. Não posso permitir uma situação dessa, é desumano, afirma o delegado.
Outro detento que vem recebendo os cuidados dos companheiros de cela é o deficiente físico Saulo Furlan, preso há mais de três meses, por fazer fotos obscenas de menores. Por permanecer o dia todo deitado no chão, contam os presos, mãos e pernas do lado esquerdo, que já tinham pouco movimento, acabaram se atrofiando. Ele não controla mais urina e defeca nas calças. A gente carrega ele para ser lavado. Se continuar aqui vai acabar morrendo.
Para tentar ajudar os doentes, entre eles seis portadores do vírus HIV, outro que foi baleado, e um que está com o braço quebrado, necessitando de cirurgia, o delegado Zuba de Oliva procurou o superintendente da Autarquia do Serviço Municipal de Saúde, Agajan Der Berdrossian, solicitando o envio de um médico para atendimento diário aos doentes do DP.
Segundo o delegado, a ida do médico ao distrito evitaria os constrangimentos que normalmente acontecem quando os presos chegam aos postos de saúde. É uma situação complicada para os presos que vão algemados, para os médicos, para os policiais e para as pessoas que estão nos postos e saem de fininho, diz Zuba de Oliva.
Diante da falta de profissionais disponíveis, apontada por Berdrossian, a saída foi um acerto para que os doentes do 2º DP sejam atendidos nos postos de saúde da Vila Fraternidade e José Belinati (centro). Ficou definido que os presos vão entrar pelos fundos dos postos e terão prioridade no atendimento. Os mais graves irão para o Hospital da Zona Sul e Universitário, diz o delegado.
Zuba de Oliva acredita que, se o DP tivesse uma enfermaria, os problemas com os doentes seriam mais facilmente solucionados. Também evitaria a interrupção das atividades policiais. Hoje tenho alguns processos parados e intimações que não foram entregues porque temos que dar prioridade à vida das pessoas.
O delegado também conseguiu reforçar a farmácia do distrito. Zuba de Oliva comenta que remédios para sarna e outros mais simples, como dipirona, usado para combater a febre, estão sempre no estoque do DP. Para ele, a construção da prisão provisória é a luz no fim do túnel para os presos que vivem amontoados nas celas. A obra deve ficar pronta somente no ano que vem. Até lá, vamos fazendo o que é possível, diz o delegado que, no mês passado, levou alguns médicos, conhecidos seus, até o distrito. Num único dia foram atendidos mais de 20 presos.


