Superintendente do Incra no Paraná diz que será exonerada
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Albari RosaMaria de Oliveira, na superintendência do Incra: Percebo que muitos temem a localização de terras improdutivasA superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria de Oliveira, anunciou ontem à tarde que vai ser afastada do cargo. Ainda espero pelo comunicado oficial, mas uma fonte de uma secretaria estadual me garantiu que a saída é certa, disse. Segundo ela, sua virtual exoneração atende a pedidos de representantes dos três Poderes do Paraná para impedir a reforma agrária no Estado.
Maria de Oliveira acredita que duas razões tenham contribuído para o afastamento. Primeira: o Incra não promoveu a retirada em 19 áreas - seis delas produtivas - ocupadas pelo Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no município de Querência do Norte. Segunda: a superintendente acelerou a execução do recadastramento de propriedades rurais na região noroeste, uma espécie de varredura a ser feita em 670 latifúndios de 34 municípios por imagens de satélite.
No primeiro caso, eu não tinha áreas para oferecer ao MST, explicou a superintendente, que está no cargo há um ano. Em relação ao recadastramento, percebo que muitos temem a localização de terras improdutivas, acrescentou. Para Maria de Oliveira, os ruralistas dão como certas grandes desapropriações em decorrência do estudo. Essas forças se organizaram e conseguiram o que mais queriam: a minha saída, desabafou.
De acordo com a superintendente, seu afastamento ficou iminente com a nomeação de Adriana Terezinha Salvadori para dirigir o escritório do Incra em Francisco Beltrão. A indicação partiu do deputado federal Nélson Meurer (PPB). Ela considerou a indicação como um ato de ingerência equivalente a um golpe.
Encontro - O MST se solidarizou com a superintendente regional do Incra durante encontro com 200 agricultores. Se isso se concretizar, é uma grande perda para a reforma agrária, afirmou o coordenador estadual da entidade, Roberto Baggio. Maria de Oliveira, técnica e funcionária de carreira, mudou a forma de atuar de um órgão até então ocupado por políticos reacionários, incompetentes e sem compromisso com a reforma agrária, completou.
Maria de Oliveira anunciou ontem o assentamento de 1.150 famílias nos municípios de Rio Bonito, Tamarana e Ortigueira. Durante a audiência, cerca de 800 agricultores ficaram concentrados em frente ao prédio.


