Londrina – O projeto do SuperBus, com trajeto rápido para linhas do transporte coletivo que interligam as regiões norte, sul, leste e oeste, precisa ser concluído até o final de junho. No entanto, antes de finalizar a proposta, a Prefeitura de Londrina quer ouvir os usuários do transporte coletivo. Os passageiros poderão opinar sobre os novos modelos de ônibus a serem adotados no sistema.
Na manhã de ontem, três veículos foram apresentados aos técnicos e gestores do município. Um deles funciona de forma híbrida com energia elétrica e óleo diesel e possui duas roletas para agilizar a entrada de passageiros. Outros dois são articulados, com uma espécie de sanfona, e têm capacidade para transportar até 170 passageiros. Os três modelos foram testados pela primeira vez com representantes do município.
Na segunda-feira, os ônibus devem circular em linhas do transporte coletivo que serão definidas pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
De acordo com o assessor executivo para assuntos especiais da Prefeitura, Carlos Alberto Geirinhas, a população poderá participar da escolha por meio de um questionário que será aplicado por representantes da administração municipal. "A engenharia está praticamente definida, mas os técnicos ainda têm algumas dúvidas. Em vez de tomar decisões baseadas nos catálogos, pedimos que as empresas viessem a Londrina para mostrar os ônibus. Precisamos verificar a altura, o peso e quantas viagens os veículos poderão fazer em cada local. As características são necessárias para definir o piso utilizado e viabilizar o sistema", explicou.
Inicialmente, a intenção era instalar o Bus Rapid Transit (BRT), sistema que custaria, aproximadamente, R$ 700 milhões. "O BRT precisa de uma demanda cinco vezes maior que a que temos hoje. A passagem já está cara. A Prefeitura teria que financiar boa parte, mas são recursos que nós não temos. Após os estudos, a recomendação foi adotar o SuperBus. Queremos atrair novos usuários", ressaltou Geirinhas.
A presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Ignes Dequech, destacou que a intenção é priorizar o transporte coletivo e os pedestres. "O objetivo do projeto é ter o transporte coletivo de alta performance que dê qualidade para o usuário e mais rapidez. O fato de ser estação fechada ou aberta, tudo isso vai depender dos estudos, da demanda e da tecnologia dos veículos", explicou. O sistema atual transporta 80 mil passageiros por dia. Com o SuperBus, a expectativa é aumentar o número de usuários para 130 mil.
O prefeito Alexandre Kireeff defendeu que o cronograma para a conclusão da proposta está dentro do previsto. "A nossa expectativa é que novas tecnologias sejam implementadas e que isso resulte em mais qualidade no transporte com diminuição na velocidade do percurso e com uma tarifa competitiva. O modelo do veículo é decisivo nesse processo", afirmou. Os possíveis valores da nova tarifa ainda não foram estimados.

PRIMEIRA FASE
A primeira fase do SuperBus está orçada em R$ 140 milhões. Entre as obras previstas estão a criação de canaletas de ônibus com pisos diferenciados, implantação de pontos de ônibus com painéis eletrônicos com horários e trajetos dos veículos, construção de 40 quilômetros de ciclovias e reforma de quatro terminais urbanos. O projeto prevê ainda a instalação de 82 pontos de ônibus e 24 estações de embarque e desembarque e a construção de dois viadutos: um na avenida Dez de Dezembro, próximo à Rodoviária, e outro no cruzamento da Avenida Duque de Caxias com a BR-369.
Entre as vias contempladas estão as avenidas Leste-Oeste, Winston Churchill e Duque. O trajeto norte-sul será implantado entre o Terminal do Conjunto Vivi Xavier e a Prefeitura de Londrina. No trajeto leste-oeste, o percurso será entre o Boulevard Shopping e o Terminal da Zona Oeste. As outras linhas permanecerão em funcionamento até a mudança total do sistema.
As obras serão executadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, do governo federal. Os R$ 140 milhões necessários só estarão garantidos se o município encaminhar o projeto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal até o final de junho. A expectativa é iniciar a construção da nova estrutura em 2016, com conclusão prevista para o final de 2017.

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