A morte de familiares e amigos queridos costuma provocar sentimentos de dor, revolta e saudade que só quem passou pela experiência consegue dimensionar os danos causados por essa perda. Já a intensidade e o tempo que o luto dura varia de acordo com cada envolvido. E não é raro encontrar pessoas que mesmo depois de muitos anos não conseguem aceitar o fato com naturalidade. Com o objetivo de prestar apoio psicológico a quem está passando está tendo dificuldade de lidar com essa situação, o Crematório Vaticano, de Curitiba, criou o projeto ''Luto e Superação''.
Trata-se de encontros com palestras temáticas sobre a perda e formação de grupos terapêuticos para que cada participante tenha a oportunidade de expor suas experiências. ''Os participantes têm a oportunidade de se expressar verbalmente emitindo sentimentos sobre o seu sofrer, resultado significativo para aceitação da morte como realidade. Nesse processo eles aprendem a falar e abordar o assunto da morte com outras pessoas, permitindo reorganizar seus projetos de vida na ausência do seu ente querido'', explica a coordenadora do projeto Shirley Hornung, psicóloga com mais de 15 anos de atuação em saúde mental com ênfase em luto.
Segundo ela, os encontros, que tiveram início em junho deste ano, facilitam a elaboração do luto, diminuindo o sofrimento e humanizando a dor da perda. ''É difícil lidar com a morte, pois ela representa o medo do desconhecido e é vista como assustadora, funesta, temerosa, pavorosa, revertendo ao medo, sofrimento emocional e psicológico'', contextualiza.
A psicóloga destaca ainda que a concepção da morte varia conforme o contexto histórico e cultural de cada pessoa, mas que o luto deve ser vivenciado por todos, mesmo por quem tem dificuldades de lidar com a perda. ''A morte desorganiza, deprime, mas o processo do luto tem começo, meio e fim. É um processo longo, que vai depender da estrutura psíquica, emocional, cultural e espiritual dos envolvidos'', afirma.
Reforçando a importância desse processo, ela cita uma definição do diretor do Centro de Perdas de Collins, nos Estados Unidos, Dr. Alan Wolfet, que diz que ''a experiência do luto é poderosa, assim também é a sua capacidade para ajudar a curar a si mesmo. Ao viver o processo de luto, a pessoa está se movendo em direção a um renovado senso de significado e propósito em sua vida''.
De acordo com Shirley, alguns fatores podem facilitar a superação da perda. Expressar os sentimentos livremente através da fala, não ignorar a dor, cuidar de si, dar tempo para o processo de aceitação e se permitir viver sem interferência da culpa e aprender e aceitar a conviver com o imutável estão entre as dicas da psicóloga.
Shirley diz que, apesar do luto ser um processo individual, o processo dura em entre um e dois anos, em média. A psicológa diz que quando esse período se prolongar por muito tempo a pessoa deve procurar ajuda de um psicológo ou psiquiatra.
Serviço:
Os encontros do projeto ''Luto e Superação'' acontecem a cada 20 dias, às terças-feiras, das 19 às 20 horas, na Capela Vaticano, (Rua Hugo Simas, 26, atrás do Cemitério Municipal de Curitiba). Os interessados podem se inscrever pelo telefone (41) 3153-7428, com Joana. O próximo encontro está agendado para o dia 25 de setembro. A participação é gratuita.

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