SUPERAÇÃO - Quando a deficiência não é empecilho
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terça-feira, 06 de setembro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
A professora Cleusa Camargo de Oliveira leciona no curso de pedagogia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Driblando a surdez que a acompanha desde os 6 anos, ela mostra que a dificuldade pode ser contornada com força de vontade, apoio de amigos, familiares e conhecimento.
Ela disse que sempre quis ser professora de inglês, passou no vestibular do curso de Letras na UEL, mas frequentou as aulas por apenas seis meses. ''Eu não conseguia aprender inglês, tinha muita dificuldade porque existe a pronúncia correta das palavras. Como eu não ouço, não consegui continuar os estudos'', disse. No entanto, a deficiência não impediu que Cleuza fizesse outras duas faculdades, a de Pedagogia na Unifil e a de Letras/Libras na Universidade Federal de Santa Catarina, concluída em 2010.
Atualmente ela é responsável pela disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) no curso de pedagogia da UEL e lembra dos problemas enfrentados quando cursava sua graduação. ''Quando tentei fazer letras na UEL não tinha intérprete em sala de aula para me ajudar, por isso não consegui acompanhar as disciplinas. Já quando fiz pedagogia na Unifil, uma colega de sala sabia Libras e me auxiliava nas aulas''. conta.
Ela diz, no entanto, que o preconceito também foi uma barreira a ser vencida. ''Antigamente tinha mais preconceito, hoje é velado, o que para mim acaba sendo até pior. Mas a gente já está preparada para lidar com isso. Hoje tenho apoio e me sinto mais segura do que antigamente'', destaca.
No próximo vestibular da UEL, cuja primeira fase é no dia 30 de outubro, os alunos deficientes terão provas adaptadas para que possam concorrer em igualdade com os demais alunos. ''Isso significa que a universidade vai precisar se estruturar para receber os alunos que passarem no vestibular'', diz.
Entre as adaptações que serão necessárias na UEL está a preparação dos professores ouvintes para lidarem com os alunos surdos e com outras deficiências. ''O professor vai precisar interagir com o aluno, acompanhar o aprendizado e dar atenção. A inclusão abrange o deficiente, o professor e os colegas da turma'', afirma.
Para ela, as instituições de ensino em geral estão se preocupando mais em receber bem alunos com deficiência. ''Para o surdo, a maior dificuldade na universidae é a compreensão dos textos técnicos em geral por que o aluno não conhece o vocabulário'', explica. Ela lembra que a língua portuguesa é para o surdo como a língua inglesa é para o ouvinte. ''É como se fosse a segunda língua, então é mais difícil lidar com ela com naturalidade'', completa.
Quando está em sala de aula com seus alunos, Cleusa se sente responsável porque sabe que está formando professores que precisam saber lidar com alunos surdos. ''Eles ficam interessados, fazem perguntas e conseguem aprender o básico da Libras'', aponta. Ela acrescenta que, por conta da carga horária limitada, os alunos que querem aprofundar os estudos em Libras devem procurar um curso extracurricular.
A professora Silvana Araújo é ouvinte e ministra a disciplina de Libras no curso de Letras da UEL. Segundo ela, os alunos têm se mostrado interessados na disciplina. ''Em geral eles vêm para a sala de aula com preconceito e ideias erradas sobre o surdo, mas depois que iniciam a disciplina repensam e conhecem quem é o surdo'', declara. Ela acrescenta que as aulas permitem que os alunos saiam da graduação com um conhecimento básico do que é a surdez.
Silvana lembra que o intérprete em sala de aula não resolve o problema do aluno surdo. ''Para que a inclusão seja realmente eficiente, o professor precisa se capacitar para atender aquele aluno. Há necessidade de preparar este docente para lecionar a um aluno surdo, ele precisa ter noção de quem é este estudante e das dificuldades que o cercam'', afirma.


