SUPERAÇÃO - De cortador de cana a palestrante
Existem pessoas que aproveitam as oportunidades que passam por suas vidas e as agarram de tal forma que, mesmo nascendo em ambiente adverso, conseguem ultrapassar as dificuldades. O ex-cortador de cana Ricardo Souto, de 32 anos, hoje estudante de Direito em Londrina, é um exemplo. Quinze anos se passaram desde o período em que deixou os canaviais até receber um convite para participar do 1º Congresso da Associação Mundial da Justiça Constitucional, que será realizado na Cidade do México em agosto. Quem o vê assistindo às aulas do curso ou dando assistência jurídica para pessoas carentes mal pode imaginar a odisseia pela qual passou até chegar a esse convite.
Souto nasceu em Porecatu (Norte), migrou para Florestópolis, onde começou a cortar cana com apenas 17 anos. "Eu cortava cana, mas sabia que não tinha nascido para fazer aquilo a minha vida inteira. Eu queria ser alguém que ajudasse as pessoas a sair daquela condição, pois era uma espécie de trabalho forçado que não deveria ser feito nem por animais", afirma.
"E fui aproveitando todos os cursos gratuitos que disponibilizavam", destaca, informando que deve ter feito cerca de 50 capacitações. Foram elas que possibilitaram que trabalhasse como operador de empilhadeira e garçom, a aprender o idioma espanhol, a se tornar técnico em gerenciamento de vendas, entre outros. A educação, portanto, foi fundamental para que ele fosse evoluindo e galgando suas conquistas profissionais.
A estabilidade profissional veio com um concurso público para o cargo de agente de segurança na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que ele prestou em 2006 e foi chamado em 2009. Graças a esse trabalho ele consegue pagar as mensalidades na Faculdade Catuaí. Questionado sobre seus planos a partir da graduação, ele afirmou que pretende continuar estudando para se qualificar cada vez mais.
Não bastasse a sujeição do cortador de cana a toda sorte de intempéries (calor, risco de acidentes com foices, facões e animais peçonhentos, intoxicações por agrotóxicos, entre outros), a atividade submete-o a excessivas jornadas e a ritmos acelerados
Inclui orientação e defesa jurídica, divulgação de informações sobre direitos e deveres, prevenção da violência e patrocínio de causas
O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.





