Desde que sonhava em ser mãe, Maria Helena Mello Cabral, 38 anos, sempre planejou no máximo dois filhos. Filha de uma professora, achava que jamais aguentaria o barulho de várias crianças juntas. Uma verdadeira ironia quando se sabe a profissão dela. Maria Helena é hoje uma ‘‘mãe-social’’.
Ganhando apenas R$ 200,00 por mês, ela cuida não só de seus três filhos, mas também de mais nove ‘‘acolhidos.’’ Ela conta que são crianças órfãs à espera de adoção e também que vieram de pais que as maltratavam. ‘‘Mas não vejo isso como um trabalho. Vejo como um ato religioso.’’
Uma das dez mães do lar da Acridas, a Associação de Cristianismo Decidido, que funciona no bairro do Bacacheri, em Curitiba, Maria Helena diz estar realizada com o trabalho que escolheu, mas que não aconselha ninguém que não tenha certeza do que quer se candidatar. ‘‘É uma coisa que digo com todas as letras. Não entre se você tiver a intenção de sair algum dia. Quem entra aqui, é pego pelo coração.’’
Em atividade há quinze anos, a Acridas é mantida com doações vindas da Alemanha e de todo o Brasil. Uma vez selecionados, os pais e mães sociais passam por um trabalho de acompanhamento psicológico, para poder dar todo o suporte necessário às crianças. ‘‘Temos que ser mães com M maiúsculo’’, conta Maria Helena. ‘‘Mas tenho certeza que nem uma mãe tem um dia das mães como o meu. Cada um chega com um cartãozinho, um abraço ou um beijo. É mesmo muito emocionante.’’(V.A.)

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