Sumiço de médico pode ser vingança
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Marccio W. Varella 
A Polícia Civil já descartou a possibilidade de ter havido sequestro do médico cardiologista Francisco de Assis Coimbra Júnior, 38 anos, desaparecido há seis dias em Maringá, e trabalha apenas com duas hipóteses: vingança e crime passional. Três grupos de pessoas estão sendo investigados por policiais de Maringá e de Curitiba.
O caso é muito complexo e delicado e somente agora é que nossas investigações nos levaram a dois caminhos, que estamos seguindo com a quase certeza de acertar na mosca. No entanto, como em todo o desaparecimento, a bola pode bater na trave e voltarmos à estaca zero, disse à Folha um delegado especializado em desaparecimentos de pessoas.
O delegado-chefe do Departamento de Polícia do Interior, Adir Proença Correa, disse que o trabalho desenvolvido pela 9ª Subdivisão Policial de Maringá conseguiu, em pouco tempo, eliminar diversas hipóteses com as quais a polícia trabalha em casos desse tipo (sequestro, tráfico de drogas, comércio ilegal de medicamentos, rapto para tratar de marginal foragido, desaparecimento voluntário) e centrar suas operações no caminho que considera mais provável. As investigações que estamos fazendo nos levam a crer que se trata ou de vingança - há pessoas que têm motivos para se vingar do médico - ou de crime passional, disse um dos policiais que investiga o caso.
Desde a última quarta-feira, dia em que o médico desapareceu em frente à sua clínica particular, no bairro Zona 4 em Maringá, policiais montam guarda na frente e dormem dentro da casa de Coimbra Jr. A casa, aparentemente simples, fica no bairro Jardim Novo Horizonte, de classe média. A mulher dele é professora do curso de enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
O médico Reinaldo Brovini, diretor da Unimed em Maringá e amigo pessoal de Coimbra Jr., assumiu o papel de porta-voz da família. Ontem, Brovini ligou para a redação da Folha em Maringá pedindo para que o jornal não publicasse a fotografia da casa do médico. É para não expor a família, pediu.


