Sumiço de enfermeira desafia polícia
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quarta-feira, 30 de setembro de 1998
Luciane Tonon 
Há 36 dias a auxiliar de enfermagem Maria de Fátima Peixoto, 27 anos, saiu pela porta da frente da Santa Casa de Misericórdia de Cornélio Procópio, onde trabalha, aparentemente tranquila e fumando um cigarro. Nunca mais foi vista. A família não perde as esperanças de encontrá-la viva, mas não há nenhuma informação segura sobre seu paradeiro.
A polícia trabalha em várias frentes de investigação: sequestro, fuga, rapto consensual ou crime passional. Não descartamos nenhuma hipótese, porém, todas as suspeitas são superficiais, nada com fundamento. Estamos reunindo todas as provas, mas infelizmente nenhuma das investigações deu resultado, lamentou o delegado de Cornélio Procópio, Agenor do Nascimento Filho.
Até informações vagas são levadas à sério e investigadas, como um trote recebido no dia 4 de setembro, dando conta que Maria de Fátima teria sido vista em um supermercado de Londrina. Cada telefonema reanima nossa expectativa, porém muitos vêm de pessoas com má fé, diz a comerciante Maria José Domingos, irmã mais velha de Maria de Fátima.
No início de setembro, um corpo de mulher foi encontrado em Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio) em estado de deterioração. Não era ela, isso me deixou aliviada, mas as tensões voltaram, lamentou a irmã. No dia 8 de setembro, foi encontrada uma calça jeans e um sutiã rasgado ao meio, próximo ao Rio Couro de Boi, às margens da BR-323, a 12 km de Sertanópolis. As peças foram reconhecidas pela família como sendo de Maria de Fátima.
São roupas do uso diário dela, temos certeza, confirmou a irmã. Porém, o mistério aumentou. Os vestígios indicam violência. Mas o criminoso não deixaria a roupa como pista. A pessoa teria enterrado ou jogado no rio, considerou o delegado. Coincidência ou não, as roupas da auxiliar de enfermagem estavam próximas ao corpo, já deteriorado, do médico Francisco de Assis Coimbra Júnior, que estava desaparecido de Maringá desde o dia 22 de julho.
A família e amigos de Maria de Fátima acreditam que foi coincidência. Consideram também que alguém tenha colocado as peças de roupa próximas ao corpo para despistar a polícia. Não imaginamos nenhuma oportunidade que ela tenha tido de conhecer um médico de Maringá. O tempo que morou em Londrina, não trabalhou na área de saúde e aqui, não teve nenhum contato, disse o administrador da Santa Casa de Cornélio Procópio, Osvaldo de Oliveira Alcântara.
A hipótese de crime passional volta as suspeitas sobre o ex-marido da enfermeira, Lázaro de Oliveira. Eles viveram juntos durante um ano em Londrina. Depois, voltaram para Cornélio Procópio e três meses antes do desaparecimento resolveram se separar. Há dois meses ela nos procurou, chorando, querendo fazer um acordo, porque estava com um relacionamento problemático. Concordamos, mas na outra semana ela desistiu da idéia e disse que estava bem, informou Alcântara.
Outras vezes, Maria de Fátima chegou a sair escondida do trabalho para não encontrar com Lázaro. Já vimos ela sair pela porta contrária de onde ele costumava esperá-la. Porém, ela nunca demonstrou nada anormal, comentou a auxiliar de enfermagem Lúcia Fátima Pacheco, que trabalha na Santa Casa.
Com base no depoimento prestado por Lázaro, o delegado Agenor do Nascimento Filho, disse acreditar que ele não teria motivo para cometer um crime. Foi ele quem foi embora para Londrina, há dois meses vive com outra mulher e disse estar muito bem. Também confirmamos que no dia do desaparecimento, Lázaro trabalhou até às 18 horas em Londrina. Mas não descartamos a hipótese dele estar envolvido, disse o delegado.


