Sumiço de cardiologista intriga polícia
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sexta-feira, 24 de julho de 1998
Lucinéia Parra e Marccio W. Varella 
A Polícia Civil de Maringá está investigando o desaparecimento do médico cardiologista Francisco de Assis Coimbra Júnior, 38 anos, que sumiu na última quarta-feira de manhã, quando saía de clínica na Avenida Independência, no bairro Zona 2. A suspeita de sequestro foi praticamente descartada, já que nenhum contato com a família foi feito até o final da tarde de ontem.
Normalmente, a polícia descarta a hipótese de sequestro 48 horas após o desaparecimento da vítima, explicou o assessor da diretoria da Polícia Civil em Curitiba, Cláudio Cunha Teles. Após 48 horas, acionamos o Tigre (grupo especializado em sequestros). Neste caso de Maringá, temos quase que certeza de que não houve sequestro, disse Teles.
Mas o delegado-adjunto Roberto Fernandes, responsável pelo caso, não descartou totalmente a hipótese: Os sequestradores podem estar fazendo pressão psicológica. Um fator que pode afastar a hipótese de sequestro é a condição financeira de Coimbra Jr. Segundo médicos amigos da família e o próprio delegado Fernandes, Coimbra teria apenas uma casa e dois veículos.
Coimbra Júnior desapareceu às 8h30 de quarta-feira, assim que saiu da clínica Instituto do Coração, de sua propriedade, para ir até o Hospital Santa Rita visitar um paciente. O hospital fica a cerca de 50 metros da clínica. Ele foi visto pela última vez cumprimentando um senhor que usava terno escuro, ao atravessar a rua. Coimbra Júnior não chegou a fazer a visita ao seu paciente internado no hospital. Segundo o diretor clínico do hospital, Nelson Bagatin, Coimbra também não lhe comunicou nada sobre seu paradeiro.
Marcos NegriniMistérioO médico Coimbra Júnior desapareceu ao deixar a clínica de sua propriedade para visitar um paciente num hospital, a 50 metros dali; ele não chegou a visitar seu pacienteA família comunicou o desaparecimento do médico à 9ª Subdivisão Policial de Maringá às 16 horas de quarta-feira. A família do médico estranhou o fato de Coimbra não ter ido almoçar em casa e de não ter sido encontrado até as 16h30 no consultório e nem no hospital.
O delegado Fernandes disse que já ouviu depoimentos de boa parte de parentes e amigos do médico. Praticamente todos, segundo Fernandes, confirmaram que Coimbra é uma pessoa íntegra, sem problemas que pudessem justificar seu desaparecimento. Mesmo na clínica dirigida pelo médico, a polícia não encontrou nenhuma irregularidade. Diante dos fatos estamos trabalhando com todas as possibilidades, explicou o delegado. Nas noites de quarta e quinta-feiras, a polícia fez uma varredura em mais de dez locais suspeitos, como barracões abandonados e pontos de tráfico de drogas. Todos os telefones que Coimbra costuma usar estão grampeados pela polícia. Os investigadores também efetuaram dez mandados de busca de suspeitos em Maringá e em outras cidades. Foram dez horas de trabalho árduo, mas nada encontramos com os suspeitos detidos, disse um delegado que participa das investigações.
A polícia trabalha também com a hipótese de crime passional. Um investigador e um amigo de Coimbra, também médico, que pediram sigilo para seus nomes, investigaram toda a lista de pacientes do médico para tentar descobrir algo que se relacione com o seu desaparecimento.
Se até às 8 horas de hoje não aparecer nenhum indício do paradeiro do médico, a polícia ouvirá depoimentos dos principais amigos e pacientes de Coimbra Júnior. Ele formou-se em medicina pela Universidade Estadual de Londrina e fez especialização no Instituto do Coração, em São Paulo. Ele é casado e tem duas filhas, uma de oito e outra de cinco anos.


