Sul pode criar corredor para gado gaúcho
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sábado, 19 de maio de 2001
Carmem Murara e Rosane Henn De Curitiba 
Os técnicos em Defesa Animal dos Estados da Região Sul e de São Paulo, além de representantes do Ministério da Agricultura, começaram a discutir ontem a possibilidade de criar um corredor sanitário para escoamento de animais e derivados de carne do Rio Grande do Sul para as demais regiões do País. O trânsito é controlado por barreiras desde a descoberta de focos de febre aftosa no rebanho de gado do município gaúcho de Jóia, no ano passado. A interdição se intensificou com a ocorrência de novos focos na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, no mês passado.
O corredor sanitário foi o principal ponto de discussão da reunião que os técnicos fizeram ontem na Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, em Curitiba. Estiveram presentes representantes de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. O grupo gaúcho, que traria um relato das ações que estão sendo desenvolvidas para conter o avanço da aftosa, teve problemas para chegar a Curitiba. O vôo atrasou e a reunião foi transferida da manhã para a tarde.
As conclusões do trabalho que indicariam a possibilidade de se criar o corredor sanitário dependiam de um posicionamento dos técnicos do Rio Grande do Sul. Qualquer decisão a ser tomada depende do depoimento dos técnicos gaúchos, que dirão o momento oportuno e a necessidade de se criar o corredor. Eles definirão quais ações teremos que tomar, disse o coordenador de Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura do Paraná, Felisberto Baptista.
O corredor teria uma série de restrições. Só seria permitida a entrada de animais após quarentena e eles seriam inspecionados e monitorados. A abertura só se daria após o controle absoluto da doença nas fazendas gaúchas. Se aprovada, a idéia seria encaminhada aos secretários de Agricultura e ao Ministério.
Baptista também ressaltou que os demais Estados estão dispostos a oferecer auxílio técnico ao Rio Grande do Sul, o que inclui o envio de pessoas especializadas e equipamentos de apoio. Na reunião, seria definida uma estratégia de combate ao avanço da febre aftosa.
Outro assunto abordado na reunião foi a volta da vacinação do rebanho em Santa Catarina, Estado que junto com o Rio Grande do Sul estava prestes a receber a certificação da Organização Internacional de Epizootíase (OIE) de área livre de febre aftosa sem vacinação. O título será negado se o governo catarinense autorizar a volta da vacinação. Santa Catarina deve manter a posição de não vacinar seus rebanhos, diz Baptista.
Já o Paraná vive situação diferente, pois ainda é obrigado a vacinar o gado contra a aftosa. O Paraná e os demais estados do Circuito Centro-Oeste conquistaram a certificação em Paris, em maio do ano passado, sede da OIE.
Para obter o certificado de área livre sem vacinação, o Paraná vem mantendo um rigoroso controle sanitário. A vacinação atingiu no ano passado 98,5% de cobertura do rebanho e este ano a meta é vacinar todo o gado. A campanha começou no início do mês e vai até o dia 30. A orientação é para que os grandes produtores auxiliem os pequenos na imunização dos rebanhos. O Paraná tem aproximadamente 10 milhões de cabeças.
Tanto a existência de focos de aftosa quanto a vacinação do gado prejudicam a comercialização da carne dos animais suscetíveis (bovinos, bubalinos, suínos e outros animais de casco partido). Países da Europa suspenderam a importação de carne brasileira, na semana passada, após a confirmação da volta da doença no Rio Grande do Sul. Santa Catarina também já registra prejuízos. A Rússia anunciou na semana passada, a suspensão da importação de carne suína.


