Sujeira toma conta de terrenos baldios
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quinta-feira, 12 de setembro de 2002
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
A falta de consciência ecológica da população está contribuindo para o aumento da sujeira em Londrina. Terrenos baldios entulhados de galhos e restos de construção atraem ratos e mosquitos e desafiam o Poder Público, incomodando grande parte da população. ''Esta imundície não pode continuar. As autoridades precisam tomar uma providência'', protestou ontem o catador de papel Domingos Roza da Silva, 72 anos, que mora ao lado de um terreno baldio. Apesar disso, ele ainda ensaca todo o lixo que sai de sua casa, na Rua Zircônio, Jardim Ideal (zona leste).
Hoje, apenas 120 servidores públicos integram a equipe da CMTU que responde pela limpeza pública varrição e retirada de entulhos. Duas empresas terceirizadas cuidam especificamente da capina e roçagem. O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, que estava em Brasília ontem, reconheceu que o problema existe, mas que sem a ajuda da população denunciando os crimes ambientais, o trabalho da CMTU surte pouco efeito nas ruas.
A indignação com o lixo não se restringe ao catador. Irritado com o depósito de lixo a céu aberto, na esquina das ruas Zircônio e Tremembés, Valdemar Lima da Silva diz que a montanha de entulho está mais alta do que ele. ''O local é usado normalmente por catadores de lixo'', acusou o cidadão.
Mesmo assim, Sella destacou a limpeza de 20 mil terrenos feita pela CMTU do ano passado até junho deste ano. ''Esses imóveis, todos particulares, foram limpados e cobrados'', informou. Ao todo, existem 29 mil terrenos particulares na situação de baldio.
No caso do terreno e de uma construção abandonada, localizados ao lado de um posto, na esquina da Avenida Duque de Caxias com Rua Belém, a situação é pior. Frequentemente, moradores das proximidades encontram fezes humanas pelas calçadas. Há dois anos, a população encaminhou um abaixo-assinado para que a prefeitura resolvesse o problema no local. ''É preciso limpar e demolir esta construção'', afirmou um dos vizinhos, Júlio César de Souza.
A demora para atuação da prefeitura neste caso, conforme o Núcleo de Comunicação da prefeitura, é causada pelos empecilhos jurídicos do processo para uma ação demolitória.
Sella disse que não tinha conhecimento dos dois casos Rua Zircônio e Avenida Duque de Caxias , mas que iria verificar se é possível a limpeza das áreas denunciadas ou se é preciso tomar uma medida judicial, obrigando o proprietário a fazer a limpeza.
Por outro lado, a diretora de Operações da CMTU, Rosemeiri Suzuki Rosa Lima, acha que falta consciência ecológica da própria sociedade. ''Será que teremos que remanejar a equipe constantemente para fazer o mesmo serviço semanalmente?'', questionou ela.


